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Truculência e chantagem na Câmara

Da redação
13 de dezembro de 2025

As cenas de violência física no Congresso foram escolhidas por MONEY REPORT como a(s) Imagen(s) da Semana. Desta vez, não havia como selecionar apenas um registro diante do caos político, desrespeito institucional e sucessivas decisões equivocadas que apequenaram o exercício legislativo. No final da tarde de terça-feira (9) ocorreu a retirada à força do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da ocupada Mesa da Câmara. O que veio acompanhado de agressões a jornalistas, corte da transmissão da TV Câmara, fechamento do plenário à imprensa e votações que surpreenderam até lideranças partidárias. O pacote fechou com a aprovação, durante a madrugada de quarta (10), do projeto da dosimetria, que abre caminho para a redução de penas de condenados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na trama golpista – algo que pode ser barrado por Senado, presidente ou Corte.

A confusão começou quando Glauber ocupou a cadeira da presidência da mesa em protesto contra a inclusão de seu processo de cassação na pauta por uma briga com um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL). A estratégia de Braga era a mesma do Novo e do PL, que no início de outubro impediram os trabalhos por dois dias em protesto contra a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Só que desta vez a reação foi imediata. Em vez de fraqueza e hesitação, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) resolveu ser duro, provando ter pouquíssima habilidade para com as crises internas. Braga foi suspenso por seis meses, o que preserva seu mandato e direitos políticos. Já os ocupantes anteriores foram citados em um relatório que tramita no Conselho de Ética há dois meses, sem grande avanço. Jornalistas e deputados saíram machucados e devem denunciar os policiais legislativos – o que também pode dar em nada.

A aprovação da dosimetria é vista por parlamentares como uma vitória importante de setores bolsonaristas e do centrão. Nos bastidores, o avanço do projeto foi atribuído a um movimento impulsionado pelo senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) para conter a ameaça de candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto em 2026. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

Paralelamente, um vídeo gravado no plenário e divulgado pela imprensa mostrou deputados relacionando a votação da dosimetria à demora no pagamento de emendas parlamentares. Em conversas captadas sem que percebessem, parlamentares reclamavam do governo federal e sugerem que a inclusão da pauta ocorreu como resposta à pressão por liberação de recursos. Ou seja, chantagem legislativa. A gravação reforça a percepção de que as emendas seguem sendo usadas como moeda política para destravar votações sensíveis.



O que está em jogo

Os episódios da semana escancaram três frentes de desgaste institucional. A primeira é a erosão da imagem da Câmara, marcada por cenas de violência e decisões que confrontam entendimentos consolidados do Judiciário. A segunda é o risco crescente à liberdade de imprensa. A terceira é a normalização do uso das emendas parlamentares como instrumento de pressão, prática que distorce o processo legislativo e agrava a desconfiança da sociedade.

Tensões com o Judiciário

A manutenção do mandato de Carla Zambelli abriu mais um flanco de conflito com o STF, já que a Constituição prevê perda de mandato em casos de condenação criminal definitiva. Juristas apontam que a Câmara contrariou o procedimento esperado e criará nova rodada de judicialização. O Senado também terá papel relevante ao analisar o projeto da dosimetria, que mexe diretamente na mecânica das condenações ligadas aos atos golpistas.

O que esperar agora

Com o Orçamento de 2026 em disputa e com parte das emendas impositivas ainda pendentes de pagamento, a Câmara deve enfrentar novas semanas de instabilidade. O Planalto tenta recompor a articulação com o Centrão, enquanto parlamentares mantêm o recado explícito que apareceu no vídeo divulgado: sem recursos liberados, votações de interesse do governo não avançam.

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