Disputa bilionária reacende alerta sobre monopólio no streaming e coloca até Trump no centro das pressões por mais concorrência no setor
A disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery (WBD) deixou de ser apenas uma guerra corporativa bilionária. Mesmo antes da entrada da Paramount com a proposta de US$ 108,4 bilhões — muito acima dos US$ 72 bilhões oferecidos pela Netflix —, o caso virou assunto político, ganhou oposição pública de cineastas premiados, acendeu alertas regulatórios nos EUA e na Europa e colocou Hollywood em um raro estado de pânico coletivo.
O clima escalou no domingo (7), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende participar da decisão sobre a compra. “Isso pode ser um problema”, disse ele, sugerindo que o acordo dá à Netflix uma fatia grande demais do mercado de entretenimento.
A fala jogou mais gasolina em uma disputa que já estava prestes a explodir.
O que MR publicou
O contra-ataque da Paramount
Nesta segunda-feira (8), a Paramount Skydance apresentou sua oferta diretamente aos acionistas da Warner, oferecendo US$ 30 por ação, contra os US$ 28 da Netflix. A ofensiva fez as ações da WBD saltarem mais de 7%, enquanto as da Netflix recuaram cerca de 4%.
A Paramount argumenta que sua proposta é mais fácil de aprovar do ponto de vista regulatório e evitaria a formação de um “superstreaming” que concentraria o maior e o terceiro maior serviços do mundo (Netflix e HBO Max).
David Ellison, CEO da Paramount, diz que sua oferta “cria uma Hollywood mais forte” e promete um estúdio capaz de lançar mais de 30 filmes por ano nos cinemas — um aceno direto à comunidade criativa, que teme que a Netflix reduza ainda mais o circuito teatral.
Mas nada está garantido. Caso a Paramount vença, a Warner terá de pagar US$ 2,8 bilhões à Netflix. Se insistir na Netflix e o acordo for barrado por reguladores, a própria plataforma terá de pagar US$ 5,8 bilhões à WBD.
E a oferta atual da Paramount expira em 8 de janeiro de 2026, a menos que seja estendida.
Pressão política e regulatória: o “pode ser um problema”
A gestão Trump indicou ceticismo sobre a compra da Netflix. Um alto funcionário disse à CNBC que a Casa Branca vê o acordo com “forte desconfiança”. No Congresso, republicanos e democratas se uniram em algo raro: críticas à Netflix.
- Mike Lee (R), presidente da subcomissão de Antitruste do Senado:
“Talvez a transação mais problemática que já vi em uma década.” - Elizabeth Warren (D):
Chamou a operação de “pesadelo antimonopólio”, alertando para preços mais altos para consumidores e risco à concorrência.
