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Trajano volta a cobrar corte de juros: “Está alto demais”

Da redação
8 de dezembro de 2025
Na coletiva que antecede a inauguração da Galeria Magalu, Luiza Helena Trajano criticou a Selic em 15% e defendeu mudança na meta de inflação para aliviar pequenas e médias empresas

Durante uma coletiva nesta segunda-feira (8), na véspera da inauguração da Galeria Magalu, em São Paulo, Luiza Helena Trajano voltou a mirar a política monetária brasileira. A presidente do conselho de administração do Magazine Luiza afirmou que os juros permanecem “altos demais” e defendeu que a Selic deveria cair mais rápido para aliviar a pressão sobre pequenas e médias empresas.

Segundo ela, o país persegue uma meta de inflação “rigorosa demais” e isso trava a redução do custo do crédito. “É a pequena empresa que gera emprego e está sofrendo. Colocaram a inflação em 3% e ficam buscando isso acima de tudo. Aumenta essa meta para 4%”, disse.

O Banco Central opera atualmente com alvo de 3%, dentro de um intervalo de 1,5 ponto percentual. Trajano tem sido uma das vozes mais contundentes contra o juro elevado desde a gestão de Roberto Campos Neto — período que deixou contratações que levaram a taxa ao patamar de 15%, mantida inicialmente pelo atual comando, de Gabriel Galípolo.

O CEO do Magalu, Frederico Trajano, reforçou o impacto do juro real sobre o desempenho financeiro da varejista. “Vender não é o problema. Converter a venda em resultado é o desafio num país que tem a taxa de juros real mais alta do mundo”, afirmou. Ele avalia que 2026 deve trazer demanda aquecida, mas alerta: sem consenso para acelerar o ciclo de cortes, o cenário continua travado. “O corte devia começar em janeiro e a Selic encerrar abaixo de 11%.”

Mesmo com o peso do juro sobre o varejo, Luiza Trajano lembrou a resiliência da empresa, que nasceu em Franca nos anos 1950 e atravessou inúmeras crises. “Ninguém espera uma queda de 5 pontos de uma vez, mas esperamos um sinal. Está muito alto.”

A nova Galeria Magalu

O Magazine Luiza inaugura nesta terça-feira (9) a Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista — espaço que por décadas abrigou a Livraria Cultura. Segundo Frederico, o local materializa o ecossistema do grupo ao reunir as cinco principais marcas: Magazine Luiza, KaBuM!, Netshoes, Época Cosméticos e Estante Virtual.

A estratégia reforça a aposta na integração entre físico e digital, ponto destacado pelos executivos como essencial para enfrentar o ambiente macroeconômico desafiador. O espaço de mais de 4 mil m² reúne 150 marcas e consolida a expansão de um grupo que hoje também opera logística (Magalulog), serviços em nuvem (Magalu Cloud) e soluções financeiras (Magalupay).

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