Projeto será o primeiro da empresa na América Latina, operará com 100% de energia limpa e integra os planos do governo para ampliar a infraestrutura de IA no Brasil
O TikTok anunciou que investirá mais de R$ 200 bilhões — cerca de US$ 37,7 bilhões — na construção de um data center no Brasil, marcando seu primeiro projeto desse tipo na América Latina. A instalação será construída próximo ao Porto do Pecém, no Ceará, e operará com 100% de energia renovável.
O projeto será desenvolvido em parceria com a Omnia, empresa especializada em data centers, e com a Casa dos Ventos, uma das maiores fornecedoras de energia limpa do país. Segundo Monica Guise, diretora de políticas públicas do TikTok Brasil, o data center será abastecido exclusivamente por energia eólica. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, em evento no Ceará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Este é um investimento histórico para a empresa no Brasil”, afirmou Monica. “É um passo fundamental que reflete o compromisso do TikTok com um dos mercados digitais mais dinâmicos do mundo.”
O Brasil tem se consolidado como um dos destinos mais competitivos para grandes investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiado por sua matriz energética renovável, rede elétrica interligada e pela presença de cabos submarinos de alta velocidade. O Porto de Pecém, em especial, está próximo a um importante hub de cabos que conectam Fortaleza à Europa e à África.
O investimento também se alinha às ambições do governo federal para o setor de tecnologia e inteligência artificial. Em setembro, Lula editou uma medida provisória que concede incentivos para a instalação de data centers no país, incluindo isenção de impostos para a importação de determinados equipamentos. “Estou convencido de que este data center será extraordinário para o desenvolvimento tecnológico do Brasil”, disse o presidente. “Pode servir de exemplo para outros projetos no país.”
Pressão nos EUA
O anúncio ocorre em meio à disputa envolvendo o TikTok nos Estados Unidos. A ByteDance, controladora da plataforma, segue pressionada a vender suas operações americanas para evitar um banimento. A exigência faz parte de uma lei de segurança nacional aprovada no ano passado, que obriga empresas consideradas de risco a se desvincular de controladores estrangeiros.
Embora China e Estados Unidos tenham retomado conversas sobre o tema, Pequim ainda não endossou o acordo defendido pelo presidente Donald Trump para transferir o controle do TikTok a investidores americanos. O prazo original para a venda — janeiro de 2025 — já foi prorrogado diversas vezes.
