Análise da FGV EESP mostra que companhias foram responsáveis, em 2024, por 2,8 milhões de empregos diretos
As 270 maiores companhias brasileiras de capital aberto são responsáveis por 17,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e geraram R$ 2,1 trilhões em 2024 de valor adicionado. Além disso, são responsáveis por 2,8 milhões de empregos diretos, o que corresponde a uma média de 10.332 empregos por empresa. Os dados fazem parte da pesquisa “A relevância das companhias abertas na economia brasileira”, realizada pela Fundação Getulio Vargas, em parceria da FGV Projetos com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), e encomendada pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).
De acordo com Márcio Holland, coordenador do estudo e professor da FGV EESP, outro ponto relevante da pesquisa é a qualificação dos empregos e os salários acima da média que essas empresas proporcionam: “As companhias de capital aberto analisadas pagaram R$ 344,3 bilhões em remuneração direta em 2024. Ao dividir pelos 2,8 milhões de empregados, o resultado é de R$ 10.250 por mês, 2,8 vezes maior que a média nacional que é de R$ 3.700/mês pela rais”, explica.
“Essas empresas são a coluna vertebral da economia nacional e o pulmão fiscal e produtivo do país. Fortalecer o mercado de capitais é fortalecer o Brasil. Se o país cresce, todos crescem. Este é o nosso propósito. Somos o fórum onde as grandes empresas se encontram e dialogam para pavimentar este caminho. Precisamos fortalecer nosso ambiente de negócios e construir um país mais competitivo e próspero”, destaca Pablo Cesário, presidente executivo da Abrasca.
Tributos
Também foi analisada no estudo a contribuição tributária das companhias abertas para o Brasil. Em 2024, as companhias abertas avaliadas transferiram R$ 640 bilhões em impostos, taxas e contribuições, abrangendo tributos federais, estaduais e municipais. Frente a uma arrecadação corporativa total de R$ 2,79 trilhões, essas empresas responderam por 23% do total. O montante arrecadado é superior aos orçamentos anuais de pastas inteiras do governo federal e reforça o papel dessas companhias como cofinanciadoras do Estado.
“Dessa forma, podemos concluir que as companhias abertas contribuem de modo relevante para a arrecadação tributária e, assim, para o financiamento do Estado e de suas políticas públicas. No contexto brasileiro, os atributos das grandes companhias abertas se tornam essenciais, pois a economia brasileira enfrenta o desafio de voltar a crescer de modo sustentado”, destaca Holland.
Apesar de serem consideradas pilares do crescimento brasileiro, por investir na economia, promover inovações, gerar emprego qualificado e difundir as melhores práticas de governança e de responsabilidade, as empresas de capital aberto no país estão perdendo espaço. A quantidade de empresas listadas caiu de 579 (1990) para 331 em 2024, queda de 43%. O estudo revela ainda que a capitalização de mercado gira em torno de 30% do PIB, bem abaixo de pares internacionais; ou seja, menos companhias abertas significam menos investimento de longo prazo, menor difusão tecnológica e menor capacidade de puxar produtividade agregada.
Na avaliação de Felipe Cabral, diretor de relações institucionais e governamentais da Abrasca, o cenário captado pelo levantamento da FGV evidencia a relevância do setor produtivo no cenário econômico nacional. “A Abrasca é a entidade onde as grandes empresas se reunem para discutir uma proposta de país, de atração de investimentos. Nossas companhias são, de fato, a mola propulsora de uma relevante fatia da economia brasileira, algo que o estudo da FGV demonstra, em números, a relevância que as empresas possuem em impacto social e econômico”, afirmou.
