Tenho três amigos empresários, cujos negócios cresceram barbaramente nos últimos seis anos. Suas famílias, apesar dos problemas habituais, vão bem e a saúde também está OK. Recentemente, fizeram viagens cinematográficas e estão explorando novos destinos e abrindo novas empreitadas. No entanto, esses três parceiros têm se mostrado muito pessimistas em 2025. É um pessimismo que não se reflete apenas em prognósticos políticos ou econômicos – acaba contaminando a visão sobre a vida de forma geral e cria prognósticos sombrios sobre o futuro.
Curiosamente, o empresário precisa do combustível do otimismo para sobreviver e se manter motivado. O que fazer quando essa motivação vai sendo minada pelo desalento? Mais ainda: como resistir ao fatalismo que vem das conversas com nossos amigos? E como fechar esse ano de 2025 e recarregar as baterias para 2026?
É bem verdade que vivemos em tempos desafiadores. Muitas atitudes do governo federal vieram para tornar a vida empresarial mais difícil. A radicalização do discurso do Planalto e a incerteza que surge das eleições do ano que vem também ajudam para se criar um certo desânimo. Mas como podemos resistir ao fatalismo que vem daqueles que convivem conosco? Como manter a chama do otimismo acesa?
Conviver com o pessimismo exige antes de tudo consciência. É preciso perceber quando a energia das conversas começa a pesar e quando os cenários descritos deixam de ser análises racionais para se tornarem profecias de fracasso. Essa percepção é o primeiro passo para não se deixar contaminar. O empresário que se mantém atento a esse movimento consegue separar o que é crítica construtiva do que é apenas desânimo travestido de realismo.
Outro ponto fundamental é cultivar referências positivas. Ler boas histórias de superação, acompanhar exemplos de inovação e lembrar das próprias conquistas ajuda a contrabalançar o peso das previsões sombrias. O pessimismo tende a se alimentar de uma visão parcial da realidade, enquanto o otimismo se fortalece quando enxergamos o quadro completo. Lembro da onda de previsões pesarosas que surgiram na sequência do tarifaço de julho. Em agosto, me perguntaram se eu não estava preocupado com a situação. Disse que sim, mas depois que havíamos superado os problemas gerados pela pandemia, seria preciso muito mais que sobretaxas alfandegárias para me assustar.
Também é importante escolher bem os ambientes e as pessoas com quem compartilhamos tempo e energia. Se o círculo imediato insiste em repetir discursos fatalistas, cabe ao empresário buscar outros espaços de inspiração. Participar de grupos que discutem soluções, investir em networking com pessoas que acreditam no futuro e se aproximar de quem vibra entusiasmo são atitudes que funcionam como antídoto contra o desalento.
Por fim, o otimismo precisa ser tratado como disciplina. Não é necessariamente um estado de espírito que surge de forma espontânea, mas uma prática diária de alimentar pensamentos construtivos e de agir com confiança mesmo diante da incerteza. Resistir ao fatalismo é um exercício de escolha: optar por acreditar que o futuro pode ser melhor e trabalhar para que isso se concretize. O empresário (ou executivo) que entende essa lógica transforma o otimismo em estratégia de sobrevivência e crescimento.