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Em busca da verdade: na vida, na política e nos negócios

Aluizio Falcão Filho
29 de novembro de 2025

Recentemente, entrevistei o empresário Gabriel Kanner (imagem), que fundou uma iniciativa de educação chamada “Em busca da verdade”. Não se trata de uma escola comum: é destinada a pessoas – preferencialmente o empresariado – que queiram ampliar o seu conhecimento e buscar a excelência pessoal. A base de tudo isso está nos pensadores e filósofos clássicos, como Aristóteles e Platão.

Seu propósito é formar líderes através do saber. A proposta não é estudar filosofia abstrata, o pensamento pelo pensamento. O objetivo da EBV é entender as lições dos maiores pensadores para enfrentar os desafios da atualidade. Esse mantra ganha muito sentido quando percebemos que conceitos discutidos há 2.400 anos são atuais e pertinentes.

Os conservadores brasileiros, nos últimos tempos, têm sofrido de um grande mal – a ignorância e a falta de instrumentos intelectuais para entender o mundo atual e criar estratégias para expandir o seu poder de influência. Em alguns quadrantes do conservadorismo, inclusive, se percebe algo que pode ser extremamente pernicioso: o orgulho de ser ignorante e o desprezo pela cultura.

Muitos conservadores são empresários e subiram na vida graças à sagacidade, esforço e dedicação. Mas a cultura não os levou necessariamente a essa condição de sucesso. Por isso, em muitos casos, esses indivíduos menosprezam a intelectualidade e ligam-na aos movimentos esquerdistas.

Nada poderia ser mais errado. Platão, por exemplo, via a aristocracia (o governo exercido por uma elite de sábios e virtuosos) a melhor forma de gerir uma nação. Sua visão: apenas quem alcançou o conhecimento verdadeiro poderia agir sem interesses pessoais e conduzir a sociedade para o bem comum.

Esse conceito é reciclado várias vezes durante a história, inclusive pelo Positivismo de Augusto Comte, que influenciou aqueles que derrubaram o Império e introduziram a República no Brasil (“ordem e progresso”, os dizeres estampados na bandeira, são um lema desta escola de pensamento). Os positivistas defendiam que uma elite de pensadores deveria conduzir o país, mas acabaram derrotados pelos militares da época, que traçaram outros caminhos para o republicanismo nacional.

Como se pode ver, há correntes filosóficas que privilegiam o poder concentrado na mão das elites, algo que é veladamente defendido pelos conservadores. Obviamente, vivemos em uma democracia e não se pode tomar o poder na marra. Por isso, é preciso entender como o pensamento humano funciona para construir uma sociedade melhor, com prosperidade e valores mais sólidos.

Platão defendia que a verdadeira liderança só poderia ser exercida por aqueles que possuíssem conhecimento e cultura, pois apenas os filósofos — capazes de contemplar o Bem — teriam condições de governar de forma justa e voltada ao interesse coletivo. Aristóteles, por sua vez, via a cultura como o espaço onde se cultivam virtudes como justiça e prudência, fundamentais para que o líder não se tornasse tirano. Ambos concordavam que sem formação intelectual e moral, a liderança se reduziria a mera imposição de poder, desembocando na tirania.

Já pensadores posteriores, como os estoicos romanos Sêneca e Marco Aurélio, reforçaram que a cultura fornece o horizonte ético que permite ao líder controlar paixões e agir racionalmente. Bento de Espinoza, filósofo holandês, acrescentou que a liderança eficaz depende da consciência da interconexão entre os indivíduos, sustentada pela cultura. Assim, em diferentes épocas e contextos, esses filósofos convergem na ideia de que sem cultura não há liderança legítima, apenas dominação.

A iniciativa de Gabriel Kanner merece ser celebrada porque resgata o valor da filosofia clássica e a coloca a serviço da formação de líderes que buscam propósito e o bem comum. Ao criar um espaço voltado para o empresariado, ele demonstra que o conhecimento não é um luxo acadêmico, mas uma ferramenta prática e indispensável para enfrentar os dilemas contemporâneos. É um esforço que honra a tradição dos grandes pensadores e mostra que a cultura é o verdadeiro alicerce da liderança.

Os conservadores brasileiros precisam compreender que investir em sua formação cultural não é uma opção, mas uma necessidade. Sem esse investimento, correm o risco de se tornar reféns da ignorância e de perder relevância no debate público. A cultura fortalece a capacidade de interpretar o mundo, de construir estratégias sólidas e de inspirar seguidores com legitimidade. Se desejam prosperar e deixar um legado duradouro, devem seguir o exemplo de iniciativas como a EBV e dar protagonismo ao saber em suas vidas.

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