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Exame: 3 mulheres comandam um negócio de R$ 1,5 bi em Camboriú

Da redação
19 de novembro de 2025
Portfólio atual da construtora inclui torres de até 62 andares e projetos comerciais de grande escala no litoral de SC

O metro quadrado mais caro do Brasil fica em Balneário Camboriú. Itapema, cidade vizinha, vem logo depois. É nesse solo disputado — onde a vista para o mar vale ouro — que três mulheres comandaram um grupo que não só sobreviveu à sucessão familiar como tripla aplicada de tamanho.

A JA Russi, construtora de alto padrão com sede em Itapema, fechou 2025 com um VGV (Valor Geral de Vendas) de 1,5 bilhão de reais. O grupo é liderado por Suzana Russi. Na vice-presidência é irmã, Joana Russi Reis. E como conselheira, a mãe, Rose Russi.

As três herdaram a operação após a morte precoce de João Amadeu Russi, fundador da empresa. De lá para cá, a bicicleta suave em movimento — e mais acelerada do que nunca. O portfólio atual inclui torres de até 62 andares e projetos comerciais de grande escala , além de um landbank de 1 bilhão de reais em terrenos, todos frente-mar.

“Nosso pai faleceu numa sexta-feira e na terça de carnaval a gente estava aqui, trabalhando. Cada uma já tinha seu setor e a bicicleta já estava andando. Só subimos nela e continuamos pedalando”, afirma Suzana. “A diferença é que agora temos que pedalar mais rápido, porque tem muito aventureiro vendendo pasta bonita e sem dinheiro pra fundação.”

A empresa entrega quatro grandes empreendimentos até 2026 e prepara novos lançamentos em Itapema , Balneário Camboriú e Bombinhas.

Há também um condomínio de casas e um open mall gastronômico no radar — esse último será a nova sede da empresa. “Hoje conseguimos escolher onde e como queremos construir. A herança que nosso pai deixou foi um banco de terreno estratégico, e a missão agora é transformar esses ativos em bons produtos.”

Qual é a história da família Russi

A JA Russi nasceu em 1989, quando João Amadeu Russi , então sócio dos irmãos na construtora Russi Russi, decidiu abrir sua própria empresa.

Começou com prédios pequenos, de quatro ou cinco andares, voltados para turistas que queriam um cantinho na praia durante o verão. “Naquela época, área de lazer era a praia. No máximo uma vaga de garagem e uma feira de verão”, diz Suzana.

Uma grande virada veio com o Splendor of the Seas , um projeto que levou dez anos para ser construído e redefiniu o padrão dos imóveis da região. Inspirado em cruzeiros, o prédio tinha piscinas , quadras , capela , bar molhado , academia e um terreno de uma quadra inteira , de frente para o mar.

“Na época, diziam que meu pai era louco. Mas a ideia de um home resort se manteve. Até hoje, ninguém superou o que o Splendor oferece de lazer em um único prédio.”

Enquanto os edifícios cresciam, uma família também se formava.

Suzana e Joana foram criadas dentro da empresa, circulando entre setores e visitando obras desde os 14 anos .

Quando o pai adoeceu, em 2018, o plano de sucessão não foi improvisado: já estava em prática.

“Ele era um italiano de 1,90 metro, voz estrondosa, super imponente. Criou duas meninas para tocarem o negócio. Então não teve moleza. Faculdade, curso, prática — ele cobrou tudo da gente.”

Frente para o mar, foco na qualidade

A empresa já entregou mais de 490 mil metros quadrados de obras e 1.400 apartamentos .

Hoje, são quatro torres em execução — entre elas, o High Tower (52 pavimentos) e o Harmony, em Balneário Camboriú, com 62 andares.

“Não queremos fazer o mais alto. Queremos fazer bem-feito. Já recusamos projetos grandiosos demais. Nosso foco é desenvolver com carinho, com estudo, para entregar excelência em viver bem”, diz Suzana.

As vendas silenciosas, com clientes comprando unidades até seis meses antes do início das obras.

“Eles nos perguntam: ‘tem certeza que isso vai valorizar?’. E eu sempre respondo: todo mundo sonha em morar de frente para o mar. Pode gostar da fazenda, do mato, mas quando fala em férias, todo mundo quer sol, mar, lancha. E frente-mar nunca perde valor”, afirma.

Uma boa parte dos clientes da JA Russi vem de estados como Mato Grosso, Goiás e interior de São Paulo — onde o agronegócio gera excedente de renda e uma vontade de aproveitar a vida.

O principal desafio no caminho para a toada de crescimento, de acordo com Suzana, é o número crescente de empresas despreparadas que chegam ao mercado.

“A gente vê muito pirata do Caribe por aqui. Chega com vídeo bonito, render maravilhoso, comercial com inteligência artificial — mas não consegue levantar uma fundação. Só para os três subsolos do Sani, nosso novo prédio, foram 50 milhões de reais. Isso precisa de estrutura. Não é ideia bonita, é obra de verdade.”

Atualmente, a empresa investe cerca de 2,5 milhões de reais por mês em cada obra. “O faturamento entra, mas também sai rápido. Por isso mostrar números é importante: dá segurança para os clientes saberem que a gente tem solidez para entregar.”

Mulheres no comando — e na obra

Apesar do histórico masculino do setor, Suzana afirma que não resistiu dentro da empresa.

“Meu tempo me respeita. Nunca ouvi piadinha dentro das nossas obras”, diz.

A cultura da empresa já é errada: há engenheiras, técnicas de segurança e mulheres também não comerciais.

No início da gestão, porém, houve desconfiança. “Nosso pai era muito conhecido. A gente teve que provar que não caiu de paraquedas, que já estava aqui. Só mudou a gravidade da responsabilidade.”

Sobre ser mulher na construção civil, Suzana é prática: “Quando vou à obra, coloco minha botina, meu jeans, minha camiseta. Falo sobre obra”. E ponto final.

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Por Daniel Giussani

Publicado originalmente em: encurtador.com.br/ghip

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