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Inadimplência reduz otimismo do varejo para Black Friday e Natal

Da redação
14 de novembro de 2025
Setor entra no período mais aquecido do ano com juros altos, crédito restrito e pressão sobre o orçamento das famílias.

O varejo brasileiro se prepara para o período mais intenso do calendário, marcado pela Black Friday e pelas compras de fim de ano. Em 2025, porém, o setor enfrenta um ambiente menos favorável, influenciado pela inflação persistente, juros elevados, aumento da inadimplência e maior restrição ao crédito. A análise é do Sindilojas-SP, que aponta a necessidade de estratégias mais criteriosas, com promoções bem planejadas, condições exclusivas e prazos de pagamento estendidos.

A inadimplência continua como o principal obstáculo para o consumo. Em setembro, o Brasil registrou 79,1 milhões de consumidores negativados, de acordo com a Serasa. As dívidas se concentram em bancos e cartões de crédito, contas básicas, financeiras e serviços. O valor médio devido por consumidor é de 6.267,69 reais e cada inadimplente acumula cerca de quatro pendências.

O cenário inflacionário pressiona o orçamento das famílias e sustenta a taxa Selic em 15 por cento. Mesmo com estimativas de cortes em 2026, projeções de mercado indicam que o ano deve terminar com juros próximos de 12 por cento, o que mantém o crédito caro e limita o poder de compra.

Para Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP, o avanço da inadimplência é hoje o maior freio para o varejo. Segundo dados da Fecomercio-SP, 72,7 por cento das famílias paulistanas estão endividadas, o maior nível em dois anos, e a inadimplência atinge 22,7 por cento, o maior índice desde o fim de 2023. Ainda assim, o setor mantém expectativas moderadas para as vendas. Em dezembro de 2024, o faturamento bruto real do varejo paulistano cresceu 6,7 por cento na comparação anual. Para 2025, a projeção é de alta, porém em intensidade menor.

O pagamento do décimo terceiro salário deve injetar R$ 30,8 bilhões na economia da capital, embora parte desse montante seja direcionada à quitação de dívidas. O bom desempenho do primeiro semestre e a estabilidade no emprego ajudam a sustentar a possibilidade de crescimento, mesmo que em ritmo mais contido.

Macri lembra que dezembro costuma impulsionar o movimento no comércio. Em 2024, o varejo paulistano teve resultado 20% acima da média mensal. Vestuário, calçados, tecidos e supermercados estão entre os segmentos com maior demanda. A tendência permanece para 2025, ainda que sem previsão de avanços expressivos.

O varejo também enfrenta um desafio na formação de estoques. Apenas 53% das empresas declararam níveis adequados em outubro, reflexo do custo elevado do crédito para reposição. Além disso, o mercado de trabalho aquecido reduz a disponibilidade de profissionais para vagas temporárias. Candidatos mais qualificados tendem a priorizar posições fixas, o que exige mais rigor na seleção e preparo das equipes. A expectativa é de contratação de cerca de 7 mil temporários no varejo paulistano, um ligeiro avanço em relação aos 6,2 mil do ano anterior.

Para enfrentar o cenário, Macri afirma que o varejo deve agir com precisão. Ele recomenda foco em descontos à vista para captar parte do décimo terceiro salário, estímulo ao parcelamento seguro via cartão e estratégias que fortaleçam o histórico de bons pagadores. Segundo ele, “o lojista precisa evitar excessos, seja em estoque, seja em promoções, para não comprometer o caixa e o capital de giro. A cautela é a palavra-chave para atravessar o período mais esperado do comércio com saúde financeira e bons resultados”.

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