Resultados do quarto trimestre fiscal mostram avanço forte do Disney+ e Hulu, enquanto TV linear e cinema pressionam a receita total; lucro líquido mais que dobra e ações recuam no pré-mercado
A Disney apresentou nesta quinta-feira (13) os resultados do quarto trimestre fiscal, encerrado em setembro, com lucro acima do esperado, mas receita aquém das projeções de Wall Street. Mesmo com o desempenho positivo dos serviços de streaming, as ações da companhia caíram mais de 3% no pré-mercado.
O lucro líquido atingiu US$ 1,44 bilhão, mais que o dobro dos US$ 564 milhões registrados um ano antes. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 1,11, acima da expectativa de US$ 1,05. Já a receita totalizou US$ 22,46 bilhões, abaixo dos US$ 22,75 bilhões previstos pelos analistas e ligeiramente inferior ao resultado de 2024.
Streaming brilha em meio à pressão
O segmento de streaming foi o destaque do trimestre. A receita operacional avançou 39%, alcançando US$ 352 milhões, impulsionada por reajustes de preços no Disney+ e no Hulu. A receita total do segmento direto ao consumidor subiu 8%, para US$ 6,25 bilhões.
O Disney+ adicionou 3,8 milhões de assinantes, chegando a 131,6 milhões. O Hulu teve um salto ainda maior, com 8,6 milhões de novos usuários, totalizando 64,1 milhões, beneficiado por um acordo de distribuição com a operadora Charter. No fim de setembro, as duas plataformas somavam 195,7 milhões de assinaturas.
Este foi o último trimestre em que a Disney divulgou métricas de assinantes e ARPU. A partir do próximo balanço, a empresa seguirá o modelo da Netflix, que deixou de apresentar esses dados no início de 2025.
Queda em TV linear e cinema continua pressionando resultados
A divisão de entretenimento, que reúne estúdios e redes de televisão, registrou recuo de 6% na receita, para US$ 10,21 bilhões. A receita operacional despencou 35%, totalizando US$ 691 milhões.
As redes ABC, FX e ESPN foram impactadas por queda na receita publicitária e pelo impasse contratual com o YouTube TV, que retirou os canais da Disney da plataforma desde 31 de outubro. A receita dos canais lineares caiu 16%, enquanto o lucro operacional encolheu 21%, para US$ 391 milhões.
Retomada gradual e retorno maior ao acionista
Para o ano fiscal de 2026, a Disney prevê crescimento de dois dígitos no lucro operacional da divisão de entretenimento e margens de 10% no segmento direto ao consumidor. A unidade de experiências deve avançar em ritmo forte, enquanto esportes devem crescer mais lentamente. Já o lucro por ação é projetado para subir em dois dígitos em 2027.
A empresa também anunciou que dobrará seu programa de recompra de ações para US$ 7 bilhões e elevará o dividendo anual para US$ 1,50 por ação, ante os US$ 1 atuais.
“Foi mais um ano de grande progresso”, afirmou o CEO Bob Iger. “Fortalecemos a companhia ao aproveitar o valor de nossos ativos criativos e de marca e avançamos de forma significativa nos negócios diretos ao consumidor.”
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