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Lucro do Banco do Brasil cai 60% no 3º trimestre, para R$ 3,8 bi

Da redação
12 de novembro de 2025
Após 16 trimestres de alta, banco registra primeira queda anual de lucro; aumento da inadimplência no agronegócio e novas regras de provisão impactaram os resultados

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões, uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (12). Apesar da forte retração, o resultado veio dentro das projeções do mercado, que esperava algo próximo de R$ 3,2 bilhões.

O desempenho marca a primeira queda após 16 trimestres consecutivos de crescimento anual do lucro e faz do Banco do Brasil o único entre os grandes bancos a apresentar retração no período.

Pressão do agronegócio e novas regras do CMN

De acordo com o relatório, o recuo foi impulsionado principalmente pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pela Resolução nº 4.966/2021 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que endureceu as exigências para provisões contra calotes.

“A deterioração da carteira rural e o impacto regulatório pesaram no resultado. O banco passou de destaque positivo a uma grande incógnita para o mercado”, observam analistas consultados pelo setor.

Segundo dados do Banco Central, o BB havia registrado lucro de R$ 825 milhões em agosto e R$ 780 milhões em julho, somando cerca de R$ 2,4 bilhões no trimestre, sem considerar itens não recorrentes de aproximadamente R$ 700 milhões, geralmente relacionados a planos econômicos.

Inadimplência rural em alta

A piora no crédito do agronegócio tem sido o principal desafio. Dados da Serasa Experian apontam que o índice de inadimplência do produtor rural subiu para 8,1% no segundo trimestre de 2025 — alta de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte dos atrasos envolve empréstimos com o setor financeiro.

Rentabilidade abaixo dos pares

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Banco do Brasil caiu seis pontos percentuais, encerrando o trimestre em 8% — bem abaixo do “número mágico” de 20% observado pelos investidores. O desempenho também ficou inferior ao dos principais concorrentes: Itaú (23%), Santander (17%) e Bradesco (14,8%).

Apesar da queda, o ROE ficou em linha com as estimativas de analistas consultados pelo Money Times, que previam resultado estável em relação ao segundo trimestre.

O resultado marca um momento de virada para o banco, que vinha acumulando lucros recordes desde 2021, impulsionado pelo crédito agrícola e pela carteira de consignados. Agora, o desafio será equilibrar rentabilidade e risco em um cenário de inadimplência crescente no campo e pressão regulatória mais rígida.

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