Mercado aposta em cenário estável. Juros elevados e dólar firme desafiam retomada mais forte da atividade
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), aponta que as principais casas financeiras mantêm a expectativa de inflação medida pelo IPCA em 4,55% para este ano, interrompendo uma sequência de cortes e indicando cautela diante do cenário econômico. O dado consolida as projeções após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) estável em 15% ao ano, índice que tende a se manter até dezembro, segundo consenso do mercado.
A previsão para o câmbio também permanece inalterada: o dólar deve encerrar 2025 cotado em R$ 5,41, reflexo da combinação entre política monetária doméstica e incertezas externas. Já a perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) indica crescimento de 2,16%, repetindo o número das últimas semanas e sugerindo pouco ímpeto adicional de recuperação econômica, ao menos no curto prazo.
O cenário montado a partir das expectativas do Focus reforça que juros elevados devem continuar pressionando o crédito e o consumo, mesmo com sinais moderados de recuperação. Para 2026, a estimativa é de Selic em 12,25% e dólar em R$ 5,50, sinalizando leve alívio em 2027 e 2028, com juros podendo chegar a 10% por ano se não houver novas turbulências globais.
O mercado ainda acompanha com atenção as variáveis internacionais, como ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos e o desempenho das commodities, que podem influenciar câmbio, inflação e o crescimento brasileiro. Para o segundo semestre, economistas projetam que apenas uma desaceleração clara nos preços e avanços na agenda fiscal interna poderiam mudar as expectativas de forma relevante.
