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Exame: Ex-boia-fria, ele vende tecnologia aos e-commerces

Da redação
5 de novembro de 2025
CEO da Magis5, de Rio Claro, no interior paulista, Claudio Dias emprega mais de 100 funcionários e é líder em soluções integradas para marketplaces

“Eu sou um empresário que já foi boia-fria ”.

É assim que Claudio Dias, cofundador e CEO da Magis5, resumiu o ponto de partida de uma trajetória profissional marcada por crise econômica e mudanças radicais de vida até a criação de uma das principais startups de gestão de e-commerce e integração de marketplaces do Brasil.

Hoje, aos 56 anos, ele concilia a alma empreendedora com a convivência familiar, a prática esportiva e momentos de lazer, mantendo distância da ideia de trabalhar sem parar.

Idealizada em 2018 e com operações iniciadas em 2019, a Magis5 entrou para o ranking EXAME Negócios em Expansão 2025 ao registrar receita de R$ 20,7 milhões em 2024, 47% acima dos R$ 14,11 milhões do ano anterior.

A empresa nasceu da parceria entre Claudio e Vitor Mateus Lima, que na época foi desenvolvida pela Ericsson.

Os dois se conheceram em um grupo de vendedores de marketplace no WhatsApp. Entre as quantidades de participantes, Vitor chamou atenção.

Claudio decidiu dirigir até Indaiatuba para conversar pessoalmente e, segundo ele, a parceria se firmou em uma única pizza. “A conexão foi imediata”, diz.

A Magis5 desenvolve soluções integradas para marketplaces e e-commerces, ajudando vendedores a controlar envio, pacotes, estoque e precificação.A carteira de clientes inclui companhias que faturam entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões por mês e outras que movimentam até R$ 1 bilhão por ano apenas em marketplaces .

Com poucos meses para o fim de 2025 e já de olho em 2026, um ano mais curto, segundo Claudio, por conta das eleições e da Copa do Mundo, a meta da Magis5 é se consolidar na liderança do atendimento a empresas de médio e grande porte.

A ideia é oferecer uma solução completa, que cubra toda a jornada do cliente sem necessidade de consultorias externas ou sistemas paralelos, além de ampliar a geração de receita.

Trabalho duro e empreendedorismo desde cedo

Claudio nasceu em São Bernardo do Campo e é filho do meio entre 12 irmãos. De família estruturada, porém simples financeiramente, sempre buscou alternativas para ajudar em casa.

Fez camisetas para vender, vendeu sorvetes e até claro ao Paraguai para comprar produtos e revender. O empreendedorismo formal começou em 1996, quando ele tinha cerca de 27 anos.

Alguns anos antes, em 1990, uma crise econômica levou Cláudio e a esposa a deixarem seus empregos em Diadema e se mudarem para Ribeirão Bonito, então com cerca de 5 mil habitantes.

A única oportunidade naquele momento foi trabalhar como boia-fria, primeiro colhendo algodão e depois laranja. Foram quase 12 meses de trabalho duro.

A rotina atual, em escritórios estruturados e climatizados, contrasta com aquela vívida há três décadas. Claudio relembra que trabalhar na labora não tinha nenhum glamour: era sobrevivência.

O sol funcionava como um adversário diário, a terra machucava as mãos e o exercício físico era intenso.

Ao mesmo tempo, ele guarda lembranças afetuosas das pessoas que encontraram ali.

“Eram acolhedoras e generosas”, afirma.

Entre desafios e reinvenções

Ele faz questão de dizer que não foi o trabalho como boia-fria que, por si só, se transformou em empresários.

Antes disso, já tinha experiência profissional robusta como gerente, atuando como diretor e liderando equipes.

A passagem pelo trabalho foi um intervalo duro que reforçou sua resiliência e capacidade de superação.

Para ele, um desafio desse tamanho faz com que o resto seja mais fácil.

Depois desse período, a vida foi levando novos rumores.

O casal voltou para São Paulo, as coisas começaram a melhorar e, em 1996, Claudio se tornou sócio de uma empresa de informática que carregava uma dívida de 1 milhão de dólares.

A dívida foi paga em dez parcelas de 100 mil dólares, a empresa foi vendida e abriu uma fábrica de computadores em Ilhéus, seguida por uma indústria de placas e componentes eletrônicos.

Os perrengues, como o empresário diz, começaram a ficar para trás.

A entrada no comércio eletrônico aconteceu em 2013, quando a Itautec, fabricante de equipamentos de informática do Itaú, cerrou suas atividades e liquidou seu estoque.

Claudio comprou lotes e revendeu pela internet. Esse movimento mudou de Vitor, com quem se encontrou pela primeira vez em uma padaria em 2018.

O dia a dia de Claudio Dias

Graduado em direito e pai de duas filhas, Claudio tem experiência em marketing, gestão, planejamento, vendas, negociação, mentoria e liderança de equipes.

Nos últimos seis anos, tenho buscado desacelerar, diminuir o ritmo e criar uma rotina mais equilibrada.

Ele encerra o expediente às 18h e trabalha especialmente aos fins da semana. Todos os dias toma café com a esposa e as filhas.Às sextas-feiras, às 17h, a agenda está sempre bloqueada para o “horário do bolo”, quando senta para conversar e relaxar. Eventualmente ele volta ao trabalho depois, mas o ritual é inegociável.

A Magis5 ainda não atua fora do Brasil, mas planeja expandir para a América Latina a partir de 2028, com foco em México e Argentina, mercados semelhantes ao brasileiro.

A empresa possui dois escritórios, em Rio Claro e na zona sul de São Paulo, emprega 110 funcionários e atende cerca de 1.200 clientes.

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Por Júlia Arbex

Publicado originalmente em: l1nq.com/RTEXK

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