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Nuvem e IA são equalizadoras para PMEs, diz CEO da Congero

Lorena Scavone Giron
4 de novembro de 2025
O americano Thomas Cong aposta no país como pilar de inovação na América Latina e projeta faturamento inicial local de R$ 7,5 milhões

Em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, o americano Thomas Cong, CEO e fundador da Congero Technology Group, desembarca em São Paulo para ampliar investimentos atendendo empresas de menor porte que precisam lidar com o poder tecnológico dos grandes concorrentes. A companhia quer participação de 10% a 15% da nova receita global vinda do Brasil para os próximos três anos – algo em torno de R$ 7,5 milhões por ano.

Fundada em 2003 e com sede na Virgínia, a Congero é uma consultoria global de tecnologia especializada em gestão de receitas, planejamento de recursos empresariais (ERP), gestão de relacionamento com o ciente (CRM) e cobrança. Presente em seis países e com cerca de 90 colaboradores, a empresa acelera a expansão na América Latina com foco em pequenas e médias empresas (PMEs). Esse público enfrenta burocracia e carências de infraestrutura digital, mas também concentra boa parte da demanda por automação e escalabilidade.

“Política é polarizadora, mas negócios são unificadores”, diz Cong. “A lógica comercial supera a retórica política. Estamos aqui para construir pontes, não barreiras.”

A operação brasileira começou em junho. A decisão, segundo o CEO, combinou potencial de mercado, liderança local e projetos comerciais já em andamento. A parceria de uma década com a Equifax foi determinante, inclusive na integração da Boa Vista após a aquisição no país. Com receita global entre US$ 7 milhões e US$ 8 milhões, a empresa pretende superar a marca de US$ 10 milhões com a contribuição do Brasil.

A estratégia comercial se apoia em implementação rápida e custo competitivo. A Congero trabalha com plataformas como Oracle BRM, Salesforce, NetSuite, Odoo e Creatio, além da solução própria de faturamento Embrix. Tudo roda em nuvem e com recursos de IA. O objetivo é colocar sistemas complexos em produção em até dois meses, reduzindo a dependência de projetos sob medida.

Fluxos testados

“A computação em nuvem e a inteligência artificial serão os grandes equalizadores tecnológicos”, afirma Cong. “Elas permitem que países como o Brasil superem gargalos estruturais e ganhem competitividade global.”

O chief revenue officer global, Célio Rosa, baseado em São Paulo, relata crescimento de demanda entre PMEs. “Vemos busca intensa por soluções de automação. Essas empresas têm produtos e ideias fortes, mas precisam fortalecer processos para sustentar o crescimento.” O executivo destaca a padronização de boas práticas corporativas como forma de reduzir prazos e custos. Para Cong, muitas companhias se veem únicas, porém a maior parte dos processos de negócio é semelhante. Ao adotar fluxos testados por grandes players, a PME acelera a execução e preserva o caixa.

A IA já aparece em aplicações de análise e decisão. Dashboards dinâmicos permitem consultas sobre tendências de receita em tempo real, sem filas na área de TI. “O gestor faz perguntas e o sistema responde na hora. Isso muda o jogo”, afirma o CEO.

Apesar do chamado Custo Brasil, Cong adota postura pragmática. “Nenhum país é simples. Só podemos contar conosco para fazer dar certo.” Na visão do executivo, nuvem e IA funcionam como utilidades essenciais e acessíveis, enquanto as empresas direcionam energia para a proposta de valor.

O plano local projeta faturamento entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão até 2028. As prioridades incluem telecomunicações, utilities, serviços financeiros e negócios digitais. A empresa busca consolidar a presença na América Latina e, em seguida, ampliar novamente a atuação nos Estados Unidos e no Canadá.

“Não tenham medo de competir”, aconselha Cong aos empreendedores brasileiros. “Todo problema esconde uma oportunidade. Testem rápido, errem rápido, aprendam rápido. Há infraestrutura disponível para transformar boas ideias em negócios reais.”

Rosa reforça a promessa de flexibilidade. “Conseguimos ouvir o cliente e adaptar as soluções. Esse é um diferencial frente às gigantes de tecnologia.”

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