De improviso na Indonésia, presidente foi repudiado justo no dia em que aparece como vencedor das pesquisas em todos os cenários ainda no 1º turno. Em um país que executa condenados envolvidos com drogas, presidente brasileiro vive sincericídio digno de Bolsonaro
Durante uma coletiva de imprensa em Jacarta, Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cometeu o deslize mais constrangedor e criticável de seu terceiro mandato. Ao comentar sobre o combate às drogas, Lula demonstrou amplo desconhecimento do tema ao afirmar que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. A fala destrambelhada, emitida de improviso em um país muçulmano onde traficantes são condenados à morte, soou deslocada e ofensiva, especialmente às famílias de vítimas da dependência química.
Horas depois, o presidente tentou conter o dano com uma nota publicada nas redes sociais. Mas faltou humildade. Ele alegou ter feito uma “frase mal colocada” e reforçou ser “contra os traficantes e o crime organizado” – até, aí, qualquer um. A justificativa soou burocrática, mais resultado do trabalho de assessores do que de uma autocrítica sincera. Faltou empatia e sobrou constrangimento, afinal, não houve sequer um pedido de desculpas públicas. Em vez disso, preferiu falar das apreensões de drogas da Polícia Federal – desnecessário.
A oposição reagiu imediatamente ao combustível político, justamente no dia em que uma pesquisa AtlasIntel apontava Lula vencendo todos os adversários no primeiro turno de 2026. O episódio reforça uma contradição antiga: o presidente, experiente no improviso e acostumado a dominar o palco, frequentemente cria os próprios tropeços. Em nada difere das constrangedoras declarações de Bolsonaro no passado recente.
O custo, dessa vez, foi duplo, tanto diplomático quanto político. Falar sobre “vítimas” em um país onde o tráfico é punido com execução pública é um erro de contexto básico. E se retratar sem reconhecer o impacto real de suas palavras, sem mencionar os dependentes e suas famílias, ampliou o desgaste.
Mais do que um deslize verbal, o episódio expõe o envelhecimento do estilo Lula, marcado pelo impulso de improvisar justamente quando a diplomacia exige precisão. E até mais que isso: revela um ponto de vista ultrapassado sobre as drogas que ignora aspectos de saúde pública da questão.
Fiz uma frase mal colocada nesta quinta e quero dizer que meu posicionamento é muito claro contra os traficantes e o crime organizado. Mais importante do que as palavras são as ações que o meu governo vem realizando, como é o caso da maior operação da história contra o crime…
— Lula (@LulaOficial) October 24, 2025
