Cervejaria atribui resultado a cenário macroeconômico adverso e queda no consumo na América Latina e Europa, mas com ganhos de mercado
A Heineken revisou para baixo suas projeções de desempenho e afirmou nesta quarta-feira (22) que espera uma queda no volume global de vendas de cerveja em 2025, revertendo a previsão anterior de estabilidade. A empresa, segunda maior cervejaria do mundo, citou o agravamento das condições macroeconômicas e a fraqueza na demanda em mercados-chave como principais fatores para o recuo.
O lucro operacional orgânico da companhia também deve ficar no limite inferior da faixa estimada anteriormente, entre 4% e 8%, segundo comunicado oficial. “A volatilidade macroeconômica se intensificou no terceiro trimestre. Esperamos que a demanda se recupere à medida que as condições se normalizarem”, afirmou o CEO Dolf van den Brink.
O recuo mais acentuado veio da América Latina, com destaque para o Brasil, onde o volume de remessas caiu em dois dígitos médios (entre 10% e 20%), impactado por um ambiente de consumo enfraquecido e tensões comerciais. Ainda assim, a Heineken destacou ganhos de participação de mercado no país, além de resultados positivos no México e em regiões anteriormente desafiadoras, como o Vietnã.
A empresa registrou uma queda de 0,3% na receita líquida do terceiro trimestre, ligeiramente melhor que as previsões dos analistas, que projetavam retração de 0,8%. Já o volume global caiu 4,3%, praticamente em linha com as estimativas.
O cenário marca uma nova deterioração das expectativas: em julho, a Heineken já havia decepcionado investidores ao afirmar que as vendas ficariam estáveis em 2025, o que provocou uma queda de mais de 8% em suas ações à época. Desta vez, o tom mais realista foi recebido com alívio — os papéis da companhia subiram quase 1% nas negociações iniciais desta quarta.
A empresa, que vem tentando reverter anos de crescimento fraco em volumes, enfrenta desafios comuns ao setor: mudanças nos hábitos de consumo, aumento da busca por bebidas com menor teor alcoólico e até o impacto indireto de medicamentos para perda de peso, que reduzem o consumo de álcool.
Apesar do cenário desafiador, analistas avaliam que as revisões podem indicar uma base mais sólida para retomada. “Todas as notícias negativas já estavam precificadas, e, na verdade, esperava-se algo pior”, observou Laurence Whyatt, analista do Barclays.
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