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Disputa tributária no Brasil reduz lucro da Netflix no 3º tri

Da redação
21 de outubro de 2025
Despesa inesperada de US$ 619 milhões derruba margens; empresa culpa disputa com o Fisco brasileiro, mas mantém otimismo com o quarto trimestre

A Netflix registrou lucro de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre de 2025, abaixo das expectativas de Wall Street, após contabilizar uma despesa extraordinária de US$ 619 milhões (R$ 3,3 bilhões) relacionada a uma disputa tributária no Brasil. O resultado ficou aquém da projeção de US$ 3 bilhões dos analistas, derrubando as ações da empresa em cerca de 4% nas negociações pós-fechamento.

Em comunicado, a companhia explicou que o impacto decorre de uma cobrança adicional vinculada à contribuição Cide-Royalties, cujo alcance foi ampliado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto. O tribunal considerou constitucional a legislação que estende a tributação para remessas ao exterior envolvendo licenças de marca e propriedade intelectual — um ponto sensível para plataformas digitais como a Netflix.

“Essa despesa não estava prevista e reduziu nossa margem operacional do trimestre em mais de cinco pontos percentuais”, informou a empresa em carta a investidores. A margem ficou em 28%, frente à projeção de 31,5%. “Sem esse impacto, teríamos superado nossas metas de rentabilidade. Não esperamos que esse assunto tenha efeito material nos resultados futuros”, completou.

A receita global foi de US$ 11,5 bilhões, crescimento de 17% sobre o mesmo período do ano anterior, em linha com as expectativas. O lucro por ação ficou em US$ 5,87, abaixo da previsão de US$ 6,97.

O resultado ocorre em meio ao impasse sobre o PL do streaming, projeto que propõe tributar serviços de vídeo sob demanda no Brasil. A votação da proposta deve ser retomada na próxima semana na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ).

“Guerreiras do K-pop” domina o trimestre


Apesar do revés tributário, a Netflix registrou um dos maiores engajamentos de sua história. A animação “Guerreiras do K-pop” se tornou o filme mais assistido da plataforma, com 325 milhões de visualizações globais. Outros títulos, como Wandinha e Alice in Borderland, também impulsionaram a audiência, com alta de 15% no público dos EUA e 22% no Reino Unido, segundo dados da Nielsen e da Barb.

A empresa, que superou a marca de 300 milhões de assinantes no mundo, aposta em um quarto trimestre forte, com o lançamento da temporada final de “Stranger Things” e dois jogos ao vivo da NFL no Natal.

“Estamos terminando o ano com um bom ímpeto e uma lista empolgante de lançamentos”, disse a Netflix no relatório.

Contexto no Brasil

A discussão sobre a Cide-Royalties voltou ao centro do debate em 2025, após o STF validar a cobrança sobre royalties pagos por empresas estrangeiras em contratos que envolvem cessão ou uso de marca. A mudança ampliou o escopo tributário, afetando companhias de tecnologia e entretenimento.

Diferentemente de concorrentes como Disney e Warner Bros. Discovery, a Netflix está registrada no Brasil sob a categoria “portais e provedores de conteúdo”, o que amplia o alcance das novas exigências fiscais.

Para o quarto trimestre, a empresa projeta receita de US$ 11,96 bilhões e lucro por ação de US$ 5,45, ligeiramente acima das estimativas do mercado.

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