Dois médicos, dois psicólogos e um medalhista olímpico dão as dicas: conhecer os limites de cada um, criar bons ambientes, antecipar problemas, lidar com as desigualdades e ter governança robusta
As pessoas são o ativo mais precioso das organizações. Essa informação consta em qualquer manual básico de recursos humanos. Porém, cuidar de gente para que as horas de trabalho não se tornem um fardo para corpo e mente exige atenções pontuais em cada empresa. Alçada à condição de prioridade estratégica, o bem-estar se traduz em resultados, com profissionais atentos, produtivos e saudáveis, o que reduz faltas, licenças médicas, desatenções, rotatividade, ambientes carregados e, claro, custos. As buscas por soluções e pontos de partida foram tratadas por especialistas e estudiosos no 23º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida, em São Paulo. Confira:
Planejar para vencer
“É preciso conhecer os próprios limites. Às vezes, o corpo dá sinais e precisamos reconhecer, mesmo querendo ir além. Este é o grande desafio: não ultrapassa. Dá para fazer a performance e alcançar bons resultados com tendo planejamento, preparação e cuidados”
Giovane Gávio, o Giovane do Vôlei, ex-atleta, treinador e campeão olímpico da modalidade
Promova ambientes seguros
“Precisamos criar ambientes seguros e redes de apoio para os colaboradores. Esta é uma estratégia para reter talentos e favorecer o sucesso duradouro nas organizações”
Judd Allen, presidente do Human Resources Institute, dos EUA
Fuja da reatividade
“Por uma ilusão de controle e conforto, tanto pessoas quanto empresas acabam presas a um ciclo reativo no qual medidas só são tomadas após surgirem problemas concretos. No entanto, é preciso manter um trabalho constante. O bem-estar e qualidade de vida no trabalho é como o ritmo cardíaco: devem ser permanentes e regulares para garantir a saúde organizacional”
Karin Bosman, especialista internacional em segurança social e psicológica
Enfrente as desigualdades
“Não existe bem-estar e qualidade de vida sem justiça social. Precisamos lidar com as desigualdades para que as pessoas tenham mais saúde e qualidade de vida”
Gonzalo Vecina, sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP
Liderança e indicadores
“Bem-estar nas empresas exige adaptação constante e começa pela liderança. Para isso, é essencial boa governança, com estrutura, políticas claras, normas definidas e indicadores mensuráveis de engajamento, produtividade, absenteísmo e turnover. A comunicação transparente desses resultados, fortalece a conexão entre estratégia e operação”
José Antonio Coelho Jr., médico e presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)
