Publicações nas plataformas sociais afirmando que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, teria proposto adiar as eleições presidenciais de 2026 e estender o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É uma falsificação. A declaração do parlamentar foi retirada de contexto e deturpada em vídeos editados que circulam no X (antigo Twitter), Instagram e Facebook.
Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, em 1º de outubro, Wagner disse ser pessoalmente favorável a uma mudança no sistema político-eleitoral brasileiro, com mandatos de cinco anos sem direito à reeleição. Uma medida que seria aplicável a partir de 2030, caso aprovada agora, por exemplo. O senador também defendeu a unificação das eleições em todos os níveis — de vereadores a presidente —, mas em nenhum momento mencionou adiar o pleito do próximo ano.
“Eu sou defensor de cinco anos sem reeleição, com coincidência de todas as eleições, de vereador a presidente da República. Isso não é unanimidade no PT, nem na esquerda. Estou emitindo a minha opinião”, afirmou o senador ao ser questionado sobre o futuro político do partido após 2030.
Segundo Wagner, o modelo atual, com eleições a cada dois anos, gera instabilidades e prejudica a gestão pública. Ele argumentou que a proposta buscaria dar mais previsibilidade ao processo eleitoral. Alterar o calendário vigente não seria sua intenção.
PEC em tramitação
A declaração de Wagner faz referência à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2022, de autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O texto extingue a reeleição para cargos do Executivo e estabelece mandatos de cinco anos. Uma emenda posterior, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), prevê a transição gradual do novo modelo, que só teria aplicação plena em 2034.
Desinformação nas redes
Vídeos com cortes maliciosos da entrevista viralizaram no início de outubro, somando mais de 65 mil interações. As postagens alegavam que o “governo quer adiar as eleições de 2026”, o que foi desmentido por diferentes agências de checagem, como Estadão Verifica, Lupa e Fato ou Fake.
A assessoria do senador confirmou que não há qualquer proposta de prorrogação de mandato. Em nota, afirmou: “A fala foi retirada de contexto. Ele defendia o texto do senador Marcelo Castro sobre o fim da reeleição e o aumento do mandato para cinco anos. Usaram um corte para criar fake news. Nada será alterado para 2026.”