O terceiro tempo das tratativas entre Brasil e Estados Unidos começou às 10h30 de hoje, com a conversa telefônica entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois falaram sobre o atual impasse gerado pelas tarifas americanas às exportações brasileiras. Mas, por enquanto, sabe-se apenas a versão brasileira do teor deste colóquio, que teria sido sobre comércio bilateral, meio ambiente, democracia, política latino-americana e um possível encontro presencial na Cúpula da ASEAN.
Segundo testemunhas, Lula também citou a inclusão de autoridades brasileiras na Lei Magnitsky, mas não obteve uma resposta direta de Trump sobre o tema. O assunto mais importante de todos, no entanto, não foi mencionado por nenhum dos dois mandatários: a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como se sabe, Trump havia se queixado, em uma postagem nas redes sociais, que Bolsonaro era vítima de uma caça às bruxas no Brasil – e que essa situação teria engatilhado uma série de sanções ao país.
Como o ex-presidente não foi citado – e tudo indica que o tom usado nos 30 minutos de diálogo foi amistoso –, é possível que Trump tenha se sensibilizado com os argumentos de empresários americanos e brasileiros de que as sobretaxas são ruins para as duas nações. E que, neste contexto, é melhor não continuar a briga.
O clima no bolsonarismo, assim, é por enquanto de velório. Estamos, porém, em um momento histórico no qual tudo pode mudar rapidamente. Mas, antes, precisamos esperar para ver o desenrolar desta abertura de negociações. A fotografia do momento nos revela que a Casa Branca resolveu entrar no terceiro round de conversas e será nesta fase que saberemos quais são as condições para que as tarifas sejam reduzidas a níveis razoáveis.
A bola, agora, passa para o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Estado Marco Rubio. Somente quando a interlocução entre estes dois começar é que saberemos quais são as cartas que os americanos têm em mãos. Nessa hora, tudo pode ser possível, incluindo alguma exigência sobre a situação jurídica de Bolsonaro.