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Stellantis planeja investir US$ 10 bi nos EUA

Da redação
6 de outubro de 2025
Montadora busca retomar competitividade no mercado norte-americano com novas fábricas, modelos e recontratações

A Stellantis pretende investir cerca de US$ 10 bilhões nos Estados Unidos nos próximos anos, como parte de uma estratégia para recuperar espaço no mercado que mais influencia seus lucros. O plano inclui reabertura de fábricas, contratações e lançamento de novos modelos, principalmente nos estados de Illinois e Michigan, segundo fontes próximas à empresa. A informação é da Bloomberg.

O anúncio oficial pode acontecer nas próximas semanas, com cerca de US$ 5 bilhões em novos investimentos além do valor similar já destinado no início do ano. A empresa estuda também novos aportes na marca Dodge, incluindo um possível muscle car V8, e avalia revitalizar a Chrysler em um plano de longo prazo.

Mudança de estratégia sob novo comando

As iniciativas fazem parte dos esforços do novo CEO, Antonio Filosa, que assumiu o cargo em maio com a missão de reposicionar a Stellantis no mercado global. Sob a liderança anterior, a companhia concentrou investimentos na Europa e transferiu parte da produção para países de menor custo, como o México. A atual gestão busca inverter essa tendência e direcionar mais recursos para a América do Norte, onde as oportunidades de crescimento e rentabilidade são maiores.

O foco no mercado americano também tem um componente político. Grandes empresas estão anunciando investimentos nos Estados Unidos para conquistar espaço no governo e reduzir o impacto de tarifas impostas pela administração de Donald Trump. A Hyundai já aumentou seu plano de aportes no país em US$ 5 bilhões, enquanto empresas farmacêuticas europeias também anunciaram investimentos bilionários.

Relação com sindicatos e pressões tarifárias

Parte dos recursos poderá ser destinada à reativação da fábrica da Stellantis em Belvidere (Illinois), que deve empregar novamente cerca de 1.500 trabalhadores e produzir uma nova picape de médio porte. A medida visa melhorar o relacionamento com o sindicato United Auto Workers (UAW), que tem pressionado por garantias de empregos nos Estados Unidos.

A empresa também tenta negociar com o governo a suspensão ou redução de uma possível tarifa de 25% sobre picapes médias fabricadas no México, que afetaria diretamente seus modelos Ram.

Reação do mercado e desafios futuros

As ações da Stellantis chegaram a subir 3% na Bolsa de Milão após a divulgação dos planos, embora ainda acumulem queda de 28% no ano. A companhia enfrenta perdas de participação nos mercados americano e europeu, resultado de decisões estratégicas consideradas equivocadas nos últimos anos.

Para reduzir custos e focar em áreas prioritárias, a montadora começou a rever investimentos na Europa, encerrando uma parceria em células de combustível com a Michelin e a Forvia SE, além de estudar a venda do negócio de compartilhamento de carros Free2move. A Stellantis também contratou a consultoria McKinsey & Co. para avaliar o futuro das marcas Maserati e Alfa Romeo.

O aumento dos aportes nos EUA preocupa sindicatos europeus, que temem cortes de empregos e fechamento de fábricas. A empresa suspendeu temporariamente a produção em oito plantas na Europa devido à baixa demanda e enfrenta pressão adicional da concorrência chinesa, que tem ampliado sua presença no mercado com veículos mais acessíveis.

Filosa deve se reunir com representantes sindicais na Itália em 20 de outubro, enquanto a Stellantis prepara novos planos de produção no país. A mudança de rota sinaliza uma prioridade clara: fortalecer sua posição nos Estados Unidos e tentar recuperar relevância no mercado automotivo global.

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