Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
Descarbonização gera lucro para 80% das empresas
Estudo do Boston Consulting Group (BCG) revela que 82% das empresas globais obtêm ganhos financeiros com iniciativas de descarbonização, principalmente por redução de custos e aumento de receita, embora apenas 7% mensurem integralmente estes impacto positivos. Um grupo seleto de 6% deixa de perder, em média, US$ 221 milhões por ano, o equivalente a mais de 10% das receitas. Apesar dos benefícios, empresas ainda enfrentam desafios técnicos, especialmente no escopo 3, e priorizam ações de retorno mais imediato. A pesquisa aponta que investimentos em adaptação climática têm retorno sobre o investimento (ROI) superior a 10%, reforçando que a ação climática bem planejada é lucrativa e vital para a competitividade futura. Escopo 3 são as emissões de efeito de estufa indiretas que uma empresa é responsável, mas que ocorrem na sua cadeia de valor, antes e depois das suas operações diretas.
Weg define meta para redução de emissões

A Weg anunciou meta de redução de gases de efeito estufa para 2030, com objetivo de cortar 60% das emissões de escopo 3 por valor adicionado e 52% das emissões dos escopos 1 e 2, tomando como base o ano de 2021. As metas foram aprovadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), que avalia objetivos corporativos de forma independente, mas a empresa ainda não detalhou como planeja atingir a redução das emissões do escopo 3.
Amazônia perde área do tamanho da França em 40 anos
Entre 1985 e 2024, a Amazônia brasileira perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa, equivalente a 13% do bioma, uma área do tamanho da França, segundo dados do MapBiomas. A expansão da pecuária, agricultura, silvicultura e mineração são responsáveis por 83% da conversão, com destaque para a soja, que ocupa 74% da agricultura na região. O desmatamento acelerado trouxe impactos como a redução de 2,6 milhões de hectares de áreas úmidas e, consequentemente, o aumento da seca, enquanto apenas 2% da área desmatada passou por algum tipo de regeneração. Pesquisadores alertam que o bioma se aproxima do ponto de não retorno, que pode comprometer sua sustentabilidade.
UFLA cria hidrogéis agrícolas com resíduos de papel
Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveram hidrogéis agrícolas sustentáveis a partir de resíduos da indústria de papel, utilizando nanofibrilas de celulose capazes de reter até 1.500% de água (obre seu peso) e liberar nutrientes de forma controlada. Com isso, seria possível mitigar efeitos de estiagens e reduzir a poluição do solo. Testes mostram eficácia na germinação de sementes e no enraizamento de mudas de café e eucalipto, substituindo substratos comerciais. A pesquisa avalia outras alternativas, como o uso de soro de leite na formulação. O projeto, conduzido pelo PPGBiomat/UFLA e financiado pela Fapemig, gerou quatro pedidos de patente.
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Amazon investe US$ 1 bi em salários e saúde

A plataforma Amazon anunciou investimentos de mais de US$ 1 bilhão nos Estados Unidos para aumentar salários e reduzir custos de saúde de trabalhadores de seus centros de distribuição e transporte. O salário médio passará a superar US$ 23 por hora, com compensação total chegando a mais de US$ 30 com benefícios, e plano de saúde básico ao custo de US$ 5 por semana a partir de 2026. A iniciativa busca atender mais de 1,5 milhão de funcionários, aliviando críticas sobre condições de trabalho e segurança.
ESG avança, mas empresas falham
Pesquisa do Google e Sistema B mostra que 91% dos brasileiros reconhecem o papel das empresas na redução de impactos negativos e atuação por um mundo “mais justo”. Porém, apenas 24% conseguem associar marcas às práticas de ESG. Apesar do amadurecimento da agenda e do potencial para gerar valor e vantagens competitivas, muitas empresas não comunicam adequadamente suas iniciativas, limitando a percepção pública. Especialistas destacam que transparência, diagnóstico baseado em dados e comunicação eficaz são essenciais para que ações de ESG sejam reconhecidas e consideradas confiáveis.
Mãos Pro Futuro recupera 200 mil toneladas de embalagens em 2024

O Programa Mãos Pro Futuro, da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), recuperou mais de 200 mil toneladas de embalagens pós-consumo em 2024, superando a meta e beneficiando cerca de 6 mil catadores em 174 municípios. A iniciativa fortalece a economia circular, promove inclusão social — com 53% de mulheres e 3% de pessoas trans entre os participantes — e reduziu 706 mil toneladas de CO₂ no ano. Além disso, gerou renda média de R$ 1.705 mensais aos catadores. Foram investidos R$ 21,5 milhões em infraestrutura e educação ambiental.
Rendas de Aquiraz (CE) certificadas
As rendas de bilros de Aquiraz, no Ceará, conquistaram a 142ª Indicação Geográfica (IG) brasileira e a 17ª de artesanato junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A partir de agora só produtos originados na cidade e confeccionados de acordo com métodos tradicionais terão direito de usar a designação de origem, desde que sigam padrões de qualidade e de identidade cultural. A certificação, resultado do trabalho coletivo com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), protege a tradição centenária trazida por mulheres portuguesas e agrega valor ao produto, podendo elevar preços em até 300%. A IG fortalece os pequenos negócios locais, preserva o patrimônio cultural e possibilita maior destaque no mercado nacional e internacional.
Como funcionam os créditos de carbono da reciclagem
A startup socioambiental Green Mining lançou o primeiro projeto brasileiro de geração de créditos de carbono a partir da reciclagem. O potencial é de R$ 2,8 bilhões por ano ao desviar até 26 mil toneladas de resíduos de aterros de volta à indústria. Certificado pelo Gold Standard, os créditos serão comercializados em até seis meses. Os recursos serão repassados diretamente a catadores e agentes ambientais, aumentando seus ganhos mensais em até 500%.
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Nestlé amplia agricultura regenerativa de cereais

A Nestlé Brasil expandiu as práticas de agricultura regenerativa para a produção de aveia, trigo e milho em oito fazendas parceiras em Goiás e Paraná, abrangendo 1.980 hectares (quase 20 quilômetros quadrados). O projeto oferece suporte técnico e subsídios financeiros aos produtores, que reduziram em 20% a pegada de carbono nas plantações. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, plantas de cobertura, bioinsumos e manejo integrado de pragas. Foi registrado melhora na qualidade do solo e aumento da biodiversidade. O modelo já é aplicado pela empresa no plantio de cacau e café.
Hidrovias no Amazonas podem criar riscos e custos

O decreto presidencial que prevê a concessão de hidrovias no rios Madeira, Tocantins e Tapajós pode encarecer a navegação na região amazônica. Um dos riscos é o assoreamento dos leitos, especialmente em trechos do Madeira, apontam pesquisadores. Outros riscos são a perda de biodiversidade e enchentes. O setor de navegação vê potencial benéfico, com melhora da navegabilidade e segurança no transporte de cargas e passageiros, mas alerta para os custos de pedágio. A medida quer melhor o escoamento da soja do Centro-Oeste. Para funcionar adequadamente faltam estudos detalhados e diálogos para minimizar efeitos negativos.
