Aportes somaram US$ 4,18 bilhões no ano passado e seguem em alta em 2025, com diversificação para energia, tecnologia e minerais estratégicos
Os investimentos de empresas chinesas no Brasil somaram US$ 4,18 bilhões em 2024, um aumento de 113% em relação a 2023, segundo levantamento anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado nesta quinta-feira (4). O país foi a economia emergente que mais atraiu aportes chineses no ano passado e ficou como o terceiro maior destino global.
O crescimento se mantém em 2025. No primeiro semestre, o Brasil recebeu US$ 2,2 bilhões, alta de 5% em relação à primeira metade de 2024. Mantido o ritmo, o total deste ano deve superar o registrado em 2024.
Além do salto no valor investido, o levantamento do CEBC registrou número recorde de projetos, com 39 empreendimentos no ano passado, refletindo a diversificação dos investimentos chineses. Segundo o relatório, enquanto grandes projetos em energia e petróleo diminuíram, aumentaram os investimentos em tecnologia da informação, indústria manufatureira e energia renovável, como solar e eólica.
O setor elétrico brasileiro segue em destaque, avaliado como regulado e estável, com leilões de concessão frequentes. Além disso, empresas chinesas apostam em tecnologias voltadas para a transição energética, incluindo modernização de hidrelétricas e novos projetos em fontes renováveis.
A diversificação também envolve o mercado doméstico brasileiro, com investimentos em carros elétricos e plataformas de entrega a domicílio, sem abandonar áreas tradicionais, como petróleo, gás e energia elétrica.
Analistas apontam ainda que a guerra tarifária entre EUA e Brasil, iniciada em julho com sobretaxas sobre exportações brasileiras, pode fortalecer os laços com a China. “A disputa com os EUA acaba aproximando ainda mais o Brasil da China, que surge como parceiro estratégico e concorrente em tecnologia”, afirma Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC.
Para os próximos anos, os investimentos chineses devem se concentrar em duas frentes principais: o setor de petróleo e gás, incluindo novas fronteiras de produção, como a Margem Equatorial, e a exploração de minerais estratégicos, como lítio, cobre, níquel, nióbio e terras-raras, essenciais para alta tecnologia e economia de baixo carbono. Cariello aponta que políticas regulatórias específicas poderiam atrair ainda mais investimentos e gerar empregos locais.
