Investigação indica que R$ 2,4 milhões foram destinados a empreendimento em nome do filho de Wanderlei Barbosa (Republicanos), que está afastado
A Polícia Federal investiga o uso de recursos desviados durante a pandemia de Covid-19 para a construção de uma pousada de alto padrão na Serra de Taquaruçu, distrito de Palmas (TO). O empreendimento, batizado de Pousada Pedra Canga, está registrado em nome de Rérison Antônio Castro Leite, filho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), afastado do cargo nesta quarta-feira (3) por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a PF, cerca de R$ 2,4 milhões foram destinados à obra entre junho de 2022 e julho de 2024. Conversas interceptadas indicam que Barbosa teria usado o filho para ocultar patrimônio. A investigação aponta ainda que os aportes financeiros eram registrados como contribuições de “investidor-anjo” para justificar o fluxo de capital.
Esquema de desvios
As apurações fazem parte da Operação Fames-19, que investiga contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados financiados por emendas parlamentares entre 2020 e 2021. Os contratos, que somavam quase R$ 5 milhões, foram firmados sem licitação sob o decreto de emergência em saúde pública. A suspeita é de que parte dos alimentos não chegou à população e que os valores foram usados em empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais.
A decisão de afastar o governador por seis meses foi tomada pelo ministro Mauro Campbell, do STJ, e será avaliada pelo plenário da Corte.
Defesa
Em nota, Wanderlei Barbosa disse respeitar a decisão judicial, mas classificou a medida como “precipitada”. Ele argumentou que os contratos sob investigação foram firmados na gestão anterior, quando ainda era vice-governador. Barbosa afirmou ter determinado auditorias internas sobre os contratos e prometeu recorrer para reassumir o cargo.
