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Executivos e trabalhadores de cabelos prateados estão em alta

Aluizio Falcão Filho
30 de agosto de 2025

Como todos sabem, a pirâmide etária brasileira está mudando e o país, na média, vai ficando mais velho ano após ano. O resultado disso? O mercado de trabalho vai ficando mais maduro. Décadas atrás, isso seria impossível. Após os cinquenta anos de idade, havia um funil inexorável no mundo dos colarinhos azuis e brancos e os mais velhos eram ejetados das empresas nas quais trabalhavam.

O jornal “O Globo”, alguns dias atrás, mostrou o panorama dessa mudança, ao publicar os resultados de uma pesquisa coordenada por Rogério Nagamine, ex-secretário do Regime Geral da Previdência, usando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE. Em 2012, havia 4,9 milhões de trabalhadores com 60 anos ou mais; hoje, são 8,6 milhões, em um salto de 75,5%. A título de comparação, a população brasileira cresceu cerca de 7 % neste período.  No grupo anterior, também houve um salto significativo. Em 2012, havia 31,2 milhões de profissionais entre 40 e 59 anos; hoje, esta faixa abriga 41,1 milhões de indivíduos.

Há várias explicações para o fenômeno, como a elevação do piso mínimo de aposentadoria para 65 anos. Mas o principal motivo é o envelhecimento natural da sociedade brasileira, provocado pela longevidade que observamos na geração dos chamados “baby boomers”.

Além de viver mais, os ​v​eteranos não parecem querer a aposentadoria. Pelo contrário: querem continuar produzindo e na ativa. Isso pode ser visto até nas tendências de moda: há um número considerável de senhores e senhoras que se vestem de maneira jovial, com roupas casuais e modernas. E não passam vexame.

Mas a principal característica deste grupo de pessoas maduras é a vontade de abraçar novas tecnologias e de ficar antenados com os novos tempos. Quando esses baby boomers eram jovens, viram seus pais e avós rejeitarem as mudanças proporcionadas pelo avanço dos anos – o que talvez tenha contribuído para uma aposentadoria precoce.

Hoje, muitos indivíduos que ultrapassaram a barreira dos sessenta anos de idade querem aprender o que podem sobre inteligência artificial. Evidentemente, temos também os rabugentos de plantão que acham os anos 1970 e 1980 muito melhores que a atualidade. Mas os velhinhos de hoje se interessam ​muito mais pelas novas tecnologias do que os veteranos de outrora.

Além disso, experimentamos hoje uma inversão do que foi o fluxo natural das coisas até pouco tempo atrás. No passado, os maduros ensinavam os jovens a executarem um trabalho. Hoje, com o avanço tecnológico, os mais novos podem ensinar aos mais velhos como melhorar a produtividade através de uma abordagem diferente. No início, pode até haver alguma resistência. Mas aqueles de cabelo prateado acabam entendendo o valor dos novos parâmetros ditados pela tecnologia – e mergulham de cabeça neste mundo novo.

E como fica o etarismo em tudo isso?

Ainda existe um preconceito muito grande dos jovens em relação às gerações anteriores. Mas, como disse Indra Nooy, ex-CEO da Pepsi, “não podemos ignorar o talento só porque ele vem com cabelos grisalhos” (Indra tem 69 anos). E o que dizer de um dos maiores magos das finanças de todos os tempos? Warren Buffett, de 94 anos, acredita que a longevidade está relacionada à ânsia de saber e ao apetite intelectual. “Eu ainda estou aprendendo todos os dias. A idade não é um obstáculo para a curiosidade”, diz ele. Esses 8,6 milhões de veteranos que continuam no mercado de trabalho, com certeza, irão assinar embaixo.

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