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Investidores deixam EUA e buscam Europa e emergentes

Da redação
13 de agosto de 2025
Preocupações com economia americana, dólar enfraquecido e valuations altos impulsionam diversificação global

Os fundos de ações globais que não incluem os Estados Unidos registraram em julho o maior volume de aportes em mais de quatro anos e meio. O movimento reflete uma mudança de estratégia dos investidores, que estão redirecionando capital para fora do mercado americano diante de sinais de desaceleração econômica, avaliações elevadas das ações e um dólar mais fraco.

De acordo com dados da LSEG Lipper, esses fundos receberam US$ 13,6 bilhões no mês passado, o maior valor desde dezembro de 2021. No sentido oposto, os fundos de ações focados exclusivamente nos EUA tiveram saídas de US$ 6,3 bilhões, acumulando o terceiro mês consecutivo de resgates. Analistas apontam que o processo começou ainda no início do ano, quando as políticas econômicas do presidente Donald Trump reduziram a atratividade do mercado americano.

A Europa e os mercados emergentes têm atraído parte relevante desses fluxos. Isso acontece graças a condições monetárias mais flexíveis e a perspectivas de crescimento mais favoráveis. No acumulado do ano, o índice MSCI Europa subiu mais de 19% e o MSCI Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, avançou cerca de 14%. Ambos superaram a alta de 7,2% do S&P 500 no mesmo período.

Especialistas afirmam que, embora a redução de tarifas tenha sido positiva para o mercado americano no segundo trimestre, as incertezas ligadas a negociações comerciais pendentes e a prazos de políticas econômicas que se aproximam no terceiro trimestre continuam a representar riscos. “A incerteza persistente pode reacender os fluxos de saída das ações dos EUA, especialmente se o crescimento em outras regiões seguir mais forte ou se o Federal Reserve mantiver sua postura restritiva”, avalia Derek Izuel, diretor de investimentos da Shelton Capital Management.

Outro fator relevante é o desempenho cambial. O dólar acumula queda de cerca de 10% no ano, o que amplia os retornos de investimentos internacionais para investidores americanos. Para Jim Smigiel, diretor de investimentos da SEI, o movimento ainda é mais um “rebalanceamento estratégico” do que uma decisão definitiva de reduzir a exposição aos EUA, mas sinaliza uma busca crescente por diversificação geográfica.

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