Juros altos e tarifaço dos EUA afetam expectativas dos empresários, segundo CNI
A confiança do empresário industrial brasileiro voltou a cair em agosto, prolongando para oito meses o período em que o setor opera no campo do pessimismo, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 1,2 ponto no mês, chegando a 46,1 pontos. Pela metodologia da entidade, resultados abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a piora nas expectativas tem causas internas e externas. No cenário doméstico, a elevação da taxa básica de juros desde o fim de 2024 pressiona custos e reduz a atividade, enquanto no ambiente internacional, as incertezas cresceram com o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Desde 6 de agosto, 77,8% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas à alíquota de importação de 50%, o que ameaça a competitividade de diversos setores industriais.
Os dados da pesquisa mostram que o Índice de Expectativas, que mede a confiança no desempenho futuro da economia e das empresas, caiu de 49,7 para 47,8 pontos entre julho e agosto, mantendo-se em patamar negativo pelo segundo mês consecutivo após mais de dois anos de resultados positivos. Já o Índice de Condições Atuais, que avalia a situação presente, ficou praticamente estável, passando de 42,4 para 42,6 pontos, sinalizando que a percepção sobre o momento atual segue negativa.
A pesquisa da CNI foi realizada entre 1º e 7 de agosto, com 1.177 empresas industriais de todo o país, sendo 474 de pequeno porte, 423 médias e 280 grandes. Para a entidade, a reversão desse cenário dependerá de uma melhora no ambiente macroeconômico, com redução dos juros, e de avanços no diálogo internacional para mitigar os impactos das barreiras comerciais impostas pelos EUA.
