Riscos criados pelas barreiras têm efeitos limitados no crédito da maioria das companhias latino-americanas com rating. Nível de fragilidade brasileira compartilhado com mexicanos é uma dos maiores na América Latina
A Moody’s Ratings relatou nesta quarta-feira (6) que analisou 3,5 mil empresas não financeiras com rating em todo o mundo, incluindo 140 na América Latina, para avaliar sua exposição aos riscos relacionados às tarifas dos EUA. As empresas latino-americanas enfrentam maior exposição a esses riscos do que suas contrapartes da Ásia-Pacífico ou da Europa, embora menos do que as dos EUA.
A exposição foi classificada como alta, moderada ou baixa, com base em três canais: comércio, condições macroeconômicas e mercados financeiros. No geral, os riscos tarifários dos EUA têm efeitos limitados na qualidade de crédito da maioria das empresas latino-americanas com rating. Apenas 9% têm exposição direta ao comércio, 21% a choques macroeconômicos e 10% à volatilidade financeira.


As tarifas atuais dos EUA sobre as importações do México variam de acordo com o produto e se ele se qualifica para importação isenta de impostos em conformidade com o Acordo EUA-México-Canadá. Os produtos que não se qualificarem estariam sujeitos a uma tarifa de 25%, com algumas exceções, incluindo 10% para potássio e 50% para alumínio e aço, com base na Seção 232, que permite que o presidente dos EUA imponha tarifas por razões de segurança nacional.
Os EUA representam 12% das exportações do Brasil e cerca de 2% do PIB brasileiro. No entanto, para a maior parte das empresas cotadas que operam no país, o impacto direto da tarifa seria limitado. Algumas empresas enfrentam riscos elevados relacionados às tarifas dos EUA, já que o país representa parcelas significativas de sua receita, e os exportadores brasileiros de aeronaves, aço e suco de frutas são particularmente vulneráveis.
Essas 140 empresas não financeiras com rating da América Latina operam em cerca de 20 setores em 13 países. Aproximadamente 31% dessa carteira possui grau de investimento e o restante é de grau especulativo. Para esse grupo de empresas, o risco causado pelas tarifas dos EUA geralmente é moderado, independentemente do rating.


Brasil e México enfrentam tarifas mais altas dos EUA do que outros países da região. O Brasil, por exemplo, está sujeito a uma nova tarifa de 50% a partir de 1º de agosto, embora os EUA tenham anunciado isenções para produtos como aeronaves civis e suco de laranja. O Chile se destaca pela alta exposição macroeconômica, especialmente nos setores de metais, químicos e produtos florestais.
