Autoridade antitruste italiana acusa marca de fast fashion de induzir consumidores ao erro com alegações ambientais vagas e exageradas; é a segunda sanção na Europa em pouco mais de um mês
A varejista chinesa de moda rápida Shein foi multada em 1 milhão de euros pela autoridade de concorrência da Itália por veicular informações enganosas sobre o impacto ambiental de seus produtos. A sanção foi aplicada nesta segunda-feira (4) à Infinite Styles Services Co., empresa sediada na Irlanda que opera o site da Shein na Europa.
A investigação, conduzida pela Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM), teve início em setembro de 2024 e apontou que as mensagens sobre sustentabilidade divulgadas pela marca eram frequentemente vagas, exageradas ou até falsas.
Esta é a segunda penalização enfrentada pela Shein na Europa em pouco mais de um mês. Em julho, a empresa foi multada em 40 milhões de euros pela França por publicidade enganosa relacionada a descontos e práticas ambientais.
Entre os pontos criticados pela AGCM estão as alegações da marca sobre a coleção “evoluSHEIN by design”, promovida como mais sustentável. Segundo o órgão regulador, a suposta reciclabilidade dos produtos não corresponde à realidade dos materiais utilizados nem às capacidades atuais de reciclagem.

A AGCM também classificou como “vagos e genéricos” os compromissos climáticos da Shein, como a meta de reduzir emissões em 25% até 2030 e atingir emissões líquidas zero até 2050 — metas pouco críveis, segundo o órgão, diante do aumento das emissões nos anos recentes.
A Shein declarou em nota que cooperou integralmente com as autoridades italianas e já iniciou melhorias em seu site e processos internos para garantir que suas comunicações ambientais sejam claras, verificáveis e estejam em conformidade com a legislação.
A reguladora italiana reforçou que, por atuar em um setor altamente poluente, a empresa tem um dever maior de responsabilidade ao comunicar práticas de sustentabilidade ao consumidor.
