Segundo a ANIP, 38% dos pneus de carga exportados pelo Brasil têm como destino o mercado americano e serão afetados pela nova taxação de Trump
A nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos deve causar impacto direto sobre a indústria brasileira de pneus. A partir de 6 de agosto, produtos como pneus agrícolas, de carga e de motocicletas enfrentarão tarifas adicionais para entrar no mercado americano. A medida foi imposta pelo presidente Donald Trump e preocupa a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que vê riscos imediatos para o setor.
De acordo com a ANIP, os pneus de passeio permanecem com a tarifa de 25%, percentual que já havia sido alcançado em maio. No caso dos pneus de aeronaves, que não são fabricados no Brasil, a nova tarifa será de 10%.
“Desde 2020, temos convivido com o crescimento das importações, muitas vezes com valores abaixo do custo, o que afeta duramente a indústria no país”, afirmou Rodrigo Navarro, CEO da ANIP.
A entidade já realizou reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin, com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), governadores e líderes do setor para discutir ações coordenadas em resposta à decisão americana. O objetivo é fortalecer o diálogo com o governo dos EUA e proteger a competitividade da indústria nacional.
Os números mostram a relevância do mercado norte-americano para o setor. Nos seis primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 1,32 milhão de pneus de carga, sendo 38% (ou 502,8 mil unidades) destinados aos Estados Unidos. Entre os pneus de passeio, 34% das exportações foram para o país, o equivalente a 1,45 milhão de um total de 4,22 milhões de unidades.
Já os pneus agrícolas registraram 54,5 mil unidades exportadas no primeiro semestre, das quais 1% foi para os EUA. No segmento de motocicletas, os americanos compraram 63,7 mil pneus brasileiros, cerca de 8% do total exportado.
A ANIP pretende continuar atuando junto a autoridades federais e estaduais, além de outras entidades setoriais, para buscar soluções que minimizem os efeitos das tarifas e garantam a permanência do Brasil como fornecedor relevante para o mercado externo.
