Circula nas redes sociais um vídeo falso que afirma que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, estariam escondidos em Roma, Itália, para evitar a aplicação da Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos que impõe sanções econômicas a estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. A informação, no entanto, foi desmentida pela assessoria de comunicação do STF e por registros da imprensa.
Segundo o Supremo, ambos os ministros atuaram normalmente na quarta-feira (30) e nos dias posteriores, quando as medidas foram anunciadas só contra Moraes. Barroso participou da conferência anual sobre direito público da Universidade de Brasília (UnB) e recebeu dirigentes da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Na sexta (1º), ele discursou na reabertura das sessões do STF após o recesso de julho. Moraes, por sua vez, despachou ações penais relativas a tentativas de golpe de Estado e esteve presente em eventos públicos, como o jogo Corinthians x Palmeiras no Neo Química Arena.
O STF estava em recesso de 2 de julho até 31 de julho, com prazos processuais suspensos e atuação apenas em casos urgentes. Durante esse período, Barroso responde pelo plantão do STF entre 17 e 31 de julho, enquanto Moraes e outros ministros mantiveram expediente parcial. Não haveria previsão de viagem de nenhum deles para a Itália. A única personalidade republicana em Roma é a deputada condenada Carla Zambelli, que foi detida e enviada à penitenciária de Rebibbia. A instituição já abrigou em sua ala masculina Mehmet Ali Agca, assassino ultranacionalista turco que tentou assassinar o papa João Paulo II, em 1983.
A Lei Magnitsky atingiu Moraes, mas apenas parcialmente. Ele teria vistos revogados e bens bloqueados em território dos EUA, após denúncias de que ele teria utilizado o Judiciário brasileiro para perseguir opositores. Moraes declarou não possuir bens ou contas no exterior e que seu visto para os EUA está vencido há três anos. Em aparência, o pior que poderia ocorrer seria ele eventualmente perder os cartões de crédito internacionais pessoais.
