Marca chinesa rebate carta de grandes fabricantes e defende redução temporária do imposto para incentivar inovação e produção local
Fabricante de veículos elétricos, a BYD enviou uma resposta contundente à carta encaminhada por quatro grandes montadoras – Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors – ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual pedem que o governo não reduza o imposto de importação de carros semidesmontados, medida que a BYD reivindica para viabilizar sua produção no Brasil.
Intitulada “Por que a BYD incomoda tanto?”, a resposta da marca chinesa destaca que está sendo bem recebida pelos consumidores que, por décadas, pagaram caro por tecnologia ultrapassada e design pouco inovador. A empresa defende que o pedido de redução do imposto para os kits SKD (processo de montagem de produtos enviados parcialmente desmontados) e CKD (em peças separadas) importados é uma “visão de futuro” que trará veículos mais limpos, seguros, conectados e com custo-benefício justo ao país.
O pedido da BYD, que será analisado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), propõe a redução temporária do imposto de importação para 10% durante o período em que sua fábrica em Camaçari (BA) finaliza a produção local, com previsão de nacionalizar até 70% dos componentes até 2026.
O vice-presidente da BYD no Brasil, Alexandre Baldy (imagem), criticou as ameaças das montadoras concorrentes e classificou a tentativa de impedir a medida como “chantagem” com o governo, afirmando que a BYD já investiu R$ 2 bilhões no país e projeta ampliar os aportes para R$ 5,5 bilhões.
Governadores de seis estados pediram adiamento da decisão da Camex, diante da proximidade da implantação do tarifaço de 50% imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros, e do pleito da BYD, que foi protocolado em fevereiro.
As concorrentes alegam que investimentos e empregos estariam em risco caso o governo acolha a um pleito da fabricante chinesa para reduzir, temporariamente, a tarifa para importação de carros desmontados de veículos elétricos ou híbridos.
“Ao contrário do que querem fazer crer, a importação de conjuntos de partes de peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalecer, reduzindo a abrangência do processo produtivo nacional”, diz a carta enviada a Lula e divulgada em uma rede social pelo presidente da Volkswagem, Ciro Possobom.
A carta destacou que a indústria planeja investir R$ 180 bilhões nos próximos anos. “Esse ciclo virtuoso de fortalecimento da indústria nacional será colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado o incentivo à importação de veículos desmontados para serem acabados no país”, diz ainda a carta.
