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Harvard cogita pagar até US$ 500 mi para encerrar disputa com Trump

Da redação
29 de julho de 2025
Valor exigido pela Casa Branca é mais que o dobro que Columbia desembolsará; instituição de Massachusetts resiste a exigência de supervisão externa por temer pela liberdade acadêmica

Universidade Harvard indicou disposição para destinar até US$ 500 milhões em um acordo que encerraria a crescente disputa com o governo do presidente Donald Trump, segundo fontes ouvidas pelo New York Times. O valor supera em mais de duas vezes os US$ 200 milhões que a Universidade Columbia concordou em pagar na semana passada, também para pôr fim a um embate com a Casa Branca envolvendo acusações de antissemitismo e violação de direitos civis.

As tratativas entre Harvard e o governo têm se intensificado nas últimas semanas, mas ainda não há definição pública sobre os termos do possível acordo. Pessoas próximas à negociação afirmam que Harvard é resistente a realizar um pagamento direto ao governo federal, e também discorda de pontos adotados no acordo com Columbia, como a presença de um monitor externo supervisionando o relacionamento com o governo, o que a universidade considera uma ameaça à liberdade acadêmica.

Segundo a reportagem, o próprio Trump tem acompanhado de perto as negociações e chegou a dizer que Harvard deveria pagar mais do que Columbia. Em abril, a universidade processou o governo federal após sofrer cortes bilionários em verbas de pesquisa. Estima-se que cerca de 11% da receita de Harvard venha de financiamentos federais.

O caso ganhou contornos mais amplos com o endurecimento da retórica do governo contra instituições de ensino consideradas alinhadas a valores progressistas. A administração Trump exige que universidades como Harvard encerrem programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e que adotem medidas mais rígidas contra o antissemitismo, com base na definição da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance).

Columbia como precedente

O acordo firmado por Columbia, no valor de US$ 200 milhões, é considerado um modelo para outras universidades que enfrentam investigações semelhantes. Ele prevê, entre outras cláusulas, que a instituição mantenha autonomia sobre admissões e contratações, mas inclui a adoção da definição da IHRA e a criação de um sistema interno de apuração de denúncias com dois coordenadores e relatórios anuais.

Embora algumas vozes tenham criticado o acordo, outras o veem como um mal necessário para restabelecer o acesso a repasses federais.

Impacto potencial

Com um endowment de aproximadamente US$ 53 bilhões, Harvard é a universidade mais rica do mundo. No entanto, a maior parte desse patrimônio está vinculada a finalidades específicas, o que dificulta sua utilização livre. Um memorando interno recente estimou que as ações do governo Trump — incluindo a taxação extra sobre o fundo patrimonial e o corte de bolsas e subsídios — podem comprometer em até US$ 1 bilhão anuais o orçamento da instituição.

Apesar das divergências, fontes afirmam que Harvard está inclinada a considerar um acordo, avaliando que, mesmo vencendo judicialmente, seguir em litígio com o governo pode trazer novos problemas ao longo do atual mandato presidencial.

O momento exato para um eventual desfecho ainda é incerto, mas Trump já afirmou a aliados que não dará aval ao acordo enquanto Harvard não concordar em desembolsar “muitos milhões de dólares”.


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