Com redução de açúcar do lácteo infantil, Danone aposta em reeducar o paladar infantil sem perder mercado — e dá passo ousado rumo à saudabilidade sem adoçantes artificiais
Em meio à guerra contra o açúcar, a Danone escolheu um campo delicado para travar sua batalha: o paladar das crianças. A companhia anunciou que vai reduzir o teor de açúcar do Danoninho no Brasil de 11,5% para 10%, um movimento que marca uma das metas globais da marca e que deve ser atingido já em agosto. A mudança parece pequena, mas representa um avanço simbólico (e estratégico) rumo a um portfólio mais saudável sem abrir mão da aceitação dos pequenos consumidores, que desde seu lançamento no Brasil, em 1973, apreciam o produto, que passa de geração para geração.
A redução é fruto de mais de três décadas de reformulações graduais: nos anos 1990, o produto chegava a ter 25% de açúcar. Agora, a Danone quer manter o sabor e a fidelidade do público infantil, mas sem recorrer a adoçantes artificiais, numa aposta ambiciosa de adaptação gradual do paladar brasileiro, um dos mais “açucarados” do mundo.
Para chegar a essa fórmula, o produto passa por testes rigorosos no Centro de Inovação Paris-Saclay, o “Vale do Silício europeu”, onde pesquisadores simulam desde cozinhas até salas de estar para entender as sensações de consumo. “Saúde é o principal objetivo”, afirma Gustavo Alvarez (imagem), diretor de pesquisa e inovação da Danone na América Latina. Segundo ele, a redução de açúcares vai deixar o produto 45% menos doce que o principal concorrente nacional.
A empresa também se recusa a adicionar adoçantes, pois acredita que isso apenas substituiria um vício por outro. “É preciso educar de quem compra”, resumiu Camillo Wittica, VP de relações-públicas da empresa. A ideia é clara: reduzir o açúcar sem mudar demais o sabor, e sem perder espaço na lancheira das crianças.
O movimento da Danone foi escolhido como A Tacada da Semana de MR por aliar inovação científica, responsabilidade social e estratégia de mercado em um dos segmentos mais sensíveis da indústria alimentícia: o infantil.
