Conflitos quase irreversíveis de gerações existem desde a segunda metade do século 21, quando surgiu o rock’n’roll, que introduziu a rebeldia entre os mais jovens. Dessa forma, as novas gerações – até hoje – foram consideradas mais avançadas em termos de comportamento e as anteriores mais caretas. Essa diferença sempre causou discussões, brigas e rompimentos. Incontáveis jovens saíram de casa nas últimas décadas porque seus pais não conseguiam aceitar o comportamento que reinava entre a mocidade.
Nessa semana, porém, dois artigos publicados na mesma página da “Folha de S. Paulo” mostraram um cenário diferente. Ainda existe, evidentemente, um conflito de gerações com hábitos que distinguem os mais velhos dos mais novos. Mas será que essas diferenças são as mesmas?
Vejamos os títulos dessas duas matérias. O primeiro: “Por que os jovens não querem mais transar?”. Nesse texto, temos especialistas explicando que a falta de sexo estaria associada ao tempo que a juventude fica online. O segundo artigo é intitulado da seguinte forma; “Coffee party atrai jovens que bebem menos álcool”. A reportagem mostra que rapazes e moças que buscam estilo de vida mais saudável frequentam baladas diurnas em cafeterias.
Ora, é interessante ver que dois grandes vetores de comportamento das gerações anteriores, o sexo e o álcool, têm menos espaço entre a juventude atual. A autora do primeiro texto, a antropóloga Miriam Goldenberg, diz o seguinte: “é importante lembrar que a geração X foi protagonista da revolução sexual dos anos 1960 e 1970, da chegada da pílula anticoncepcional e do divórcio. É uma geração que experimentou o sexo como uma verdadeira libertação. E naquela época não existia internet nem celular”.
E o que diz o segundo artigo? “A região central reuniu cerca de 50 pessoas antes das 11 horas da manhã, muitas das quais tinham participado de uma corrida”. Não deixa de ser curioso. Os jovens hoje estão mais focados em uma vida digital, com menos álcool, e acabam experimentando menos sexo. É bastante diferente do que viveu a geração X entre os anos 1960 e anos 1990.
Como isso acaba interferindo no comportamento? Talvez seja a primeira vez que nós temos os mais velhos se comportando de uma maneira menos careta que os mais novos. Que mundo será que esse novo tipo de conflito vai gerar? Um universo mais comportado, menos contestador, mais integrado aos conceitos conservadores?
Ainda é cedo para se chegar a uma conclusão. É preciso, antes, ver se esses relatos são uma tendência que veio para ficar ou simplesmente uma moda passageira. O fato é que, em contraposição a tudo isso, nós temos um consumo crescente de vapes por parte dos jovens, algo que não parece relacionar essa geração ao conservadorismo.
Enfim, ainda há tempo para batermos um martelo e chegarmos a um veredito. O fato é que a gente não sabe ainda se essa geração é mesmo mais conservadora ou não que as anteriores. De qualquer maneira, essa relação forte com o celular e outros dispositivos online vai gerar um mundo muito diferente daquele que nós conhecemos. Será melhor ou pior? Não sabemos. Mas será o mundo com o qual nossos filhos e netos terão de lidar.