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Soja, milho e ferro; trem sem fim; clássicos nos parques; óleo recorde

Da redação
6 de julho de 2025

Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios

Recorde: Lwart coleta 225 milhões de litros de óleo lubrificante

Dedicada ao rerrefino de óleos lubrificantes usados ou contaminados (OLUC), a Lwart atingiu o recorde de 225 milhões de litros coletados, aponta seu relatório de sustentabilidade de 2024, publicado em junho. Presente em todos os estados, a empresa atende mais de 93 mil clientes, de oficinas mecânicas a grandes indústrias, evitando que resíduos perigosos sejam descartados incorretamente no solo, água e ar.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foram negociados no país cerca de 1,4 bilhão de litros de óleo lubrificante no ano passado. Destes, 600 milhões de litros de OLUC foram coletados, o que perfaz 56% do volume com potencial para reaproveitamento. A meta nacional era de 48,3%, mas ficou acima, com a Lwart cuidando de 37%, o que torna a empresa a mais relevante do segmento. O índice só não foi maior, pois 26% são óleos de pulverização agrícola e isolantes não coletáveis. A Lwart expande sua planta de rerrefino, em Lençóis Paulista (SP). A conclusão está prevista 2026, elevando a capacidade de processamento em 60%, para 364 milhões de litros.


Cedro investirá R$ 7 bilhões em mineração sustentável

Com operações em Mariana e Nova Lima, em Minas Gerais, a Cedro Mineração (na imagem, a Mina do Gama, em Nova Lima) tem aumentado seus investimentos em sustentabilidade enquanto tem planos para expandir a produção para 25 milhões de toneladas anuais de minério de ferro até 2030. Hoje a companhia produz cerca de 7 milhões de toneladas por ano de minério de ferro. A empresa investe em pellet feed, matéria-prima agregada com baixos níveis de impurezas capaz de reduzir em até 50% as emissões de CO₂ da usina, além de melhorar a filtragem, reaproveitar 85% da água e adotar empilhamento a seco, que elimina o risco de barragens de rejeito. Para tanto, os R$R$ 7 bilhões a serem aportados, R$ 5,1 bi vão para um ramal ferroviário de 26 quilômetros que deve retirar até 5 mil caminhões da rodovias por dia na região de Serra Azul (R$ 1,5 bilhão) e grandes melhorias logísticas na área do porto de Itaguaí, no Rio (R$ 3,6 bilhões). A ferrovia e o terminal ferroviário em Minas devem geral 4 mil vagas diretas e indiretas. Lucas Kallas, fundador e presidente do conselho da Cedro, afirma: “O futuro da mineração passa por soluções estruturantes e integradas”.


Música erudita e caminhada premiadas em SP

A Caminhada Musical para a 3ª Idade ganhou o Prêmio Governador do Estado para as Artes 2025. A iniciativa aproxima o público da música erudita e reforça o papel da arte como ferramenta inclusiva e inovadora. As apresentações ocorrem em parques e praças públicas em quatro edições sazonais (Primavera, Verão, Outono e Inverno). O projeto foi idealizado pela ArteMatriz.

A composição etária do público é abrangente: 43,03% dos participantes estão na faixa de 50 a 59 anos, com 56,97% pertencendo ao público-alvo principal de 60+ (60 a 69 anos, 30,46%; 70 a 79 anos, 20,06%; e 80 a 89 anos, 6,45%). As mulheres são maioria (77,17%). O projeto também permite a inscrição de acompanhantes com menos de 60 anos, reforçando a convivência entre gerações. A inclusão contou com intérpretes de libras, experiências sensoriais para PCDs e interação com monitores artísticos e fisioterapeutas.

Em números

  • 19 concertos gratuitos nos parques, distribuídos pelas edições sazonais;
  • 4 concertos sociais em instituições parceiras, com apresentações intimistas e de alto impacto cultural.
  • 1.414 inscritos no site oficial: www.caminhadamusical.com.br
  • 795 participantes diretos na Caminhada Musical;
  • 900 pessoas que assistiram aos concertos espontaneamente nos parques;
  • 360 pessoas nas ações sociais realizadas em instituições;
  • 195 pessoas no concerto de encerramento da Orquestra de Câmara Almai.

Via Lei Rouanet, os patrocinadores da Caminhada Musical para a 3ª idade 2024 foram Atacadão, Yelum Seguros e Bluecycle. A Caminhada 2025 recebeu patrocínio da Libbs.



Nova mistura de biocombustíveis deve aquecer demanda por soja e milho

A partir do dia 1º de agosto, entram em vigor as novas misturas obrigatórias de biocombustíveis: o etanol passa para E30 e o biodiesel para B15, ou seja, elevando de 14% para 15% a proporção de renováveis nos combustíveis fósseis. A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), deve reduzir a dependência do Brasil em relação à importação de combustíveis fósseis refinados em um momento de instabilidade no mercado global.

Além de representar um passo estratégico rumo à autossuficiência energética, a mudança tem efeito direto sobre os mercados de milho e soja. No caso do etanol, a expectativa é de uma demanda adicional de até 2 bilhões de litros de etanol anidro ao ano, um impulso que tende a consolidar o milho como principal vetor de crescimento na produção do biocombustível.

De acordo com Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o Brasil pode antecipar para 2025 o uso de mais de 30 milhões de toneladas de milho para etanol, volume que antes era projetado apenas para 2026. Estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Tocantins devem ser os principais beneficiados com investimentos em novas instalações. A ampliação do B14 para o B15 redirecionará por volta de 73 milhões de toneladas do grão que antes atenderiam à demanda interna por farelo e óleo.


Austrália vai de trem infinito


A divisão de tecnologia da mineradora australiana Fortescue desenvolveu o Trem Infinity. Criado a partir da aquisição da Williams Advanced Engineering, em 2022, o veículo usa baterias elétricas que são recarregadas pelo giro das rodas. A solução não é milagrosa e só funciona com ajuda do relevo e da gravidade. A linha de 1,1 mil quilômetros entre as minas de Pilbara e Perth, no litoral do Índico, possui um desnível de 600 metros. O que a locomotiva elétrica faz é aproveitar o declive na viagem ao porto. O calor gerado pelo acionamento dos freios vira energia armazenada nas baterias. Assim, o trem pode voltar vazio sem necessitar de reabastecer. Cada composição pode levar até 34 mil toneladas de minério de ferro. A empresa possui uma frota de 16 trens elétricos e mais de 50 locomotivas diesel que devem se gradualmente substituídas pela novidade.



Vibra adere à equidade racial

Distribuidora de combustíveis e plataforma multienergia, a Vibra é a nova associada ao Movimento pela Equidade Racial (Mover). Formado por mais de 50 empresas que juntas empregam mais de 1,3 milhão de pessoas, a iniciativa atua de forma colaborativa para que pessoas negras tenham acesso a mais oportunidades no mercado de trabalho. Entre os principais pilares estão formação de lideranças, capacitação, desenvolvimento de carreiras, empregabilidade e cadeia de valor diversa, que são maneiras empresariais de enfrentar o racismo institucional e estrutural. 

Os associados assumem o compromisso público de gerar, em conjunto, mais 10 mil lideranças e 3 milhões de pessoas negras impactadas até 2030. Cada empresa deve permanecer na coalizão por no mínimo três anos. “Por meio desta parceria com o Mover, lançamos o Ananse, nosso programa de desenvolvimento de pessoas negras, que já está impactando positivamente profissionais, pessoas estagiárias e jovens aprendizes da companhia”, destaca Aspen Andersen, vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra. .


MPF pede fim da restrição ao atendimento médico de trans

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública com pedido liminar para suspender os efeitos da Resolução nº 2.427/2025, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que impõe novas restrições ao atendimento médico de pessoas trans, especialmente crianças e adolescentes. Na ação, o MPF solicita à Justiça Federal a anulação definitiva e a condenação do CFM por danos morais coletivos. O valor da multa (R$ 3 milhões) poderá ser revertido em ações educativas e voltadas à promoção dos direitos LGBTI+ e à valorização das identidades trans. 

A norma é considerada pelo MPF um retrocesso social e jurídico que desconsidera evidências científicas consolidadas e agrava a vulnerabilidade de uma das populações mais marginalizadas do país. As limitações impostas pela resolução contrariam tratados internacionais e o princípio constitucional da proteção integral à criança e ao adolescente.

Críticas ao CFM
  • Proibição do bloqueio puberal: a norma proíbe a prescrição médica de bloqueadores hormonais para crianças e adolescentes trans. Entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) atestam, com base em estudos científicos e técnicos, que o procedimento é seguro, totalmente reversível e crucial para a saúde mental de jovens trans, com prevenção de quadros de depressão, automutilação e suicídio. O MPF aponta o caráter discriminatório da medida.
  • Restrições à terapia hormonal: a idade mínima para iniciar a hormonização cruzada foi elevada de 16 para 18 anos, além de exigir um acompanhamento psiquiátrico e endocrinológico por, no mínimo, um ano. Com isso, a idade mínima para o início efetivo do tratamento acaba elevada para 19 anos, contrariando o posicionamento de 171 grupos de proteção de direitos humanos e associações profissionais, inclusive médicas e de outras áreas da saúde pública, que apontam a desconsideração da autonomia dos pacientes.
  • Elevação da idade para cirurgias: procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero só são permitidos pelo CFM a partir dos 21 anos. O MPF argumenta que a medida viola a autonomia do indivíduo sobre o próprio corpo e a maioridade civil de 18 anos, idade que também autoriza, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a alteração do nome e gênero no registro civil.
  • Atendimento pelos órgãos biológicos: a resolução obriga que pessoas trans que mantêm seus órgãos biológicos originais busquem atendimento com especialistas correspondentes ao sexo biológico e não à sua identidade de gênero. Segundo o MPF, a medida contraria jurisprudência do STF, que decidiu que a utilização dessas especialidades médicas é faculdade – e não obrigação – da pessoa trans, e é vista pelo MPF como um desrespeito à identidade do paciente e pode criar ambientes hostis.
  • Cadastro compulsório: além disso, o CFM impõe que pacientes submetidos à cirurgia de redesignação sexual sejam cadastrados e que os dados sejam compartilhados com os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que, segundo o MPF, viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ultrapassa as atribuições legais dos conselhos de classe e não se justificam por necessidade clínica, científica ou estatística de interesse público.
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