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Mercado de luxo global enfrenta maior turbulência em 15 anos

Da redação
19 de junho de 2025
Instabilidade econômica e geopolítica afeta confiança de consumidores e pode provocar queda nas vendas de até 5% em 2025, apesar de perspectivas positivas no longo prazo

O setor global de luxo está prestes a encarar sua pior instabilidade desde a crise de 2008, segundo novo relatório da consultoria Bain & Company, em parceria com a Fundação Altagamma. O estudo aponta que a combinação entre tensões geopolíticas, incerteza econômica, volatilidade financeira e desaceleração na China e nos Estados Unidos ameaça desacelerar significativamente o crescimento em 2025.

As vendas de bens pessoais de luxo — como artigos de couro, joias, relógios e roupas de grife — podem recuar de 2% a 5%, segundo o cenário considerado mais provável pela análise. Em 2024, o mercado movimentou € 1,478 bilhão, mas a tendência é de “retorno à normalidade” após o pico de consumo pós-Covid, como explica Joëlle de Montgolfier, diretora da divisão de luxo da Bain.

“Ainda há apetite por luxo, mas estamos vivendo um momento atípico de volatilidade e transição”, afirmou Montgolfier à agência AFP.

China e EUA em desaceleração

Os dois maiores mercados do setor, China e Estados Unidos, mostram sinais claros de desaceleração. No caso chinês, consumidores da classe média adotam postura cautelosa, enquanto nos EUA, tarifas alfandegárias e instabilidade política afetam o comportamento de compra.

Além disso, o setor enfrenta dúvidas internas quanto à sua capacidade de gerar valor percebido pelo cliente, somadas à chamada “dança das cadeiras” nas direções criativas das principais grifes. Recentemente, grandes marcas como Chanel, Dior e Gucci trocaram seus diretores artísticos, em um movimento de tentativa de renovação criativa, cujos efeitos devem ser sentidos apenas em 2025.

Do pessimismo à reinvenção

O estudo ainda considera dois cenários alternativos: um otimista, com estabilidade ou leve crescimento (entre -2% e +2%), e outro mais pessimista, com retração de até 9%. O momento, segundo a Bain, é de reavaliação da atratividade do setor, especialmente em relação ao custo-benefício percebido pelos consumidores.

A longo prazo, no entanto, a expectativa segue positiva. A consultoria projeta que mais de 300 milhões de novos consumidores devem entrar no mercado de luxo até 2030, com metade pertencente às gerações Z e Alfa. O aumento da renda global e a transferência de patrimônio entre gerações devem sustentar a expansão futura do setor.

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