País entra para grupo seleto com Cingapura e EUA ao liberar consumo de carne cultivada sem abate; restaurantes de Sydney e Melbourne servirão os primeiros pratos
A Austrália acaba de se tornar o terceiro país do mundo a autorizar o consumo humano de carne cultivada em laboratório, ao aprovar a venda de produtos desenvolvidos a partir de células de codorna japonesa, uma inovação que dispensa o abate animal e mira a sustentabilidade alimentar.
O avanço foi anunciado após a aprovação de uma emenda no código de padrões alimentares do país. Com isso, a startup australiana Vow, sediada em Sydney, será a primeira a colocar o produto no mercado local. A carne será comercializada sob a marca Forged, inicialmente em restaurantes como o NEL (em Sydney) e o Bottarga (em Melbourne), ainda nas próximas semanas.
Inovação com apelo ambiental e ético
A tecnologia de carne cultivada consiste na criação de tecidos animais em biorreatores, a partir de células extraídas de animais vivos, nesse caso, codornas. O objetivo é reduzir os impactos ambientais da pecuária tradicional e eliminar o sofrimento animal, oferecendo uma alternativa ética e inovadora para o consumo de proteína animal.
“A Austrália está abraçando a inovação, e os consumidores estão prontos para algo novo e delicioso”, afirmou o CEO da Vow, George Peppou.
Desafios e pioneirismo
Apesar da conquista, o setor ainda enfrenta desafios como queda nos investimentos, dificuldades logísticas e resistência política, especialmente em alguns estados dos Estados Unidos, onde há tentativas de banir a carne cultivada. Mesmo assim, a Austrália agora se junta a Cingapura e aos EUA como os únicos países a liberar esse tipo de proteína em escala comercial.
A Vow já atua em Cingapura, onde afirma registrar crescimento de 200% nas vendas mensais. Com o aval regulatório australiano, a empresa reforça seu papel de liderança no cenário global da inovação alimentar.
A expectativa é que a iniciativa australiana inspire outras nações a avançarem em marcos regulatórios para a carne cultivada, abrindo caminho para um futuro mais sustentável e ético no consumo de alimentos.
