Publicações nas redes sociais alegam que o país teria fornecido material radioativo ao Irã, mas a INB nega qualquer relação e reforça controle internacional sobre o setor nuclear brasileiro
Circula nas redes sociais uma alegação falsa de que o Brasil teria fornecido urânio enriquecido ao Irã para a produção de bombas nucleares. O conteúdo ganhou repercussão, principalmente no Facebook. A denúncia veio de um áudio disseminado em grupos sociais: “Os iranianos vieram no Brasil buscar urânio enriquecido para fazer as suas bombas atômicas.” A informação é incorreta.
Estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) classificou a alegação como “fake news”. Em nota, a empresa afirmou que nunca manteve qualquer relação com o Irã e que sua atuação está restrita à produção de urânio para fins pacíficos, como geração de energia, medicina, agricultura e conservação de obras de arte.
A INB esclareceu ainda que todas as suas atividades são fiscalizadas por órgãos reguladores, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o Ibama. Para o segundo semestre de 2025, a empresa planeja exportar concentrado de urânio (yellowcake) para a Rússia, onde o material será convertido em gás antes de ser reenviado ao Brasil para abastecimento das usinas de Angra dos Reis (RJ).
O Brasil é signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), acordo internacional que assegura que o uso da energia nuclear no país é estritamente voltado a aplicações pacíficas e impede desvios para fins bélicos.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo federal também se manifestou, alertando para a circulação de peças de desinformação envolvendo o setor nuclear e reforçando que o Brasil não comercializa urânio com fins militares, material que possui um grau de concentração mais elevado do que para fins pacíficos.
Parte da alegação ainda tenta conferir veracidade ao boato ao citar um suposto jornal americano, que teria noticiado o uso de navios de guerra iranianos atracados no Brasil em 2023 para transporte do material nuclear. No entanto, uma busca por termos relacionados aos navios Makran e Dena, que estiveram em portos brasileiros, não revela nenhuma reportagem americana confirmando a informação.
O responsável pela disseminação do conteúdo é o pastor Sandro Rocha, já citado em outras checagens da Agência Lupa por divulgar informações inverídicas e fantasiosas, incluindo a alegação de que o presidente Lula teria morrido e sido substituído por um sósia. Ele também foi desmentido em casos envolvendo drones lançando fezes e urina em eventos públicos e supostas descobertas de jazidas de gás natural no Parque Nacional do Iguaçu.
