Mesmo com queda nas exportações e cenário adverso, agronegócio de São Paulo continua sendo motor do comércio exterior do estado
O agronegócio paulista fechou os cinco primeiros meses de 2025 com um superávit de US$ 8,54 bilhões na balança comercial, apesar da queda de 11,1% nas exportações em relação ao mesmo período do ano passado e do impacto da gripe aviária e do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. O setor exportou US$ 11,01 bilhões e importou US$ 2,47 bilhões entre janeiro e maio, segundo levantamento da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e do IEA (Instituto de Economia Agrícola).
As exportações do agro representaram 40,6% de todas as vendas externas do estado, que agora ocupa a segunda colocação entre os maiores exportadores do setor no Brasil — atrás de Mato Grosso, que lidera com forte concentração no complexo soja.
Destaques das exportações paulistas
Os cinco principais grupos exportadores foram responsáveis por 72,8% das vendas externas do agro paulista:
- Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,68 bilhões (24,3% do total), com destaque para o açúcar (90,2%).
- Carnes: US$ 1,53 bilhão (14%), principalmente carne bovina (82,9%).
- Complexo soja: US$ 1,29 bilhão (11,7%), com a soja em grão representando 83,7%.
- Sucos: US$ 1,26 bilhão (11,5%), quase integralmente de suco de laranja (97,8%).
- Produtos florestais: US$ 1,25 bilhão (11,4%), puxados por celulose (54,2%).
O café ocupou a sexta posição, com US$ 824,8 milhões, sendo 74,3% café verde e 22% café solúvel. Destacaram-se os aumentos nas receitas de café (+56,6%), sucos (+26,6%) e carnes (+22,1%), enquanto o complexo sucroalcooleiro recuou 45,6%.
Importações e papel do agro
As importações do agro paulista cresceram 5,6%, impulsionadas por salmões (US$ 194 milhões), papel (US$ 178 milhões), trigo (US$ 154 milhões) e leite em pó (US$ 100 milhões). O volume de trigo importado aumentou 40% em relação ao ano passado.
Enquanto o agronegócio gerou superávit, os demais setores da economia paulista registraram um déficit comercial de US$ 16,75 bilhões, com exportações de US$ 16,12 bilhões e importações de US$ 32,87 bilhões. O desempenho do agro foi, portanto, fundamental para conter o rombo nas contas externas do estado.
Participação no cenário nacional
De janeiro a maio, São Paulo respondeu por 16,3% das exportações e 28,9% das importações do agronegócio nacional. O estado tem liderança nacional em grupos como sucos (86,3%), produtos alimentícios diversos (68,5%) e o complexo sucroalcooleiro (55,6%). Também tem destaque em carne bovina, respondendo por 22% das exportações brasileiras do produto.
O agronegócio brasileiro, por sua vez, exportou US$ 67,48 bilhões no período (+0,6% sobre 2024) e importou US$ 8,54 bilhões, gerando superávit de US$ 58,94 bilhões, o que ajudou a compensar o déficit dos demais setores, que chegou a US$ 34,5 bilhões.
Perspectivas
Especialistas da Apta e do IEA alertam que o cenário ainda pode mudar nos próximos meses com os desdobramentos da guerra comercial com os EUA e a crise da gripe aviária, que já levou à suspensão das exportações de carne de frango em 21 estados. Esses fatores podem afetar o desempenho relativo de estados exportadores, como São Paulo e Mato Grosso, no restante do ano.
