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Leilão da ANP arrecada quase R$ 1 bi com 34 blocos e ágio médio de 534%

Da redação
17 de junho de 2025
O grande destaque da rodada foi a Bacia da Foz do Amazonas, onde 19 blocos receberam propostas; Bacia Potiguar não atraiu interesse

O leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta terça-feira (17), no Rio de Janeiro, resultou na venda de 34 dos 172 blocos ofertados. Apesar da baixa adesão, o resultado superou as expectativas do governo. O bônus de assinatura somou R$ 989,26 milhões, valor mais que o dobro do estimado inicialmente, e o ágio médio alcançou 534,47%. A previsão de investimento mínimo total ficou em R$ 1,45 bilhão.

O grande destaque da rodada foi a Bacia da Foz do Amazonas, onde 19 blocos receberam propostas. A área concentrou 85% do valor arrecadado no leilão. Os blocos foram disputados principalmente por Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC, que apresentaram lances individualmente e em consórcios. A Petrobras atuou fortemente em parceria com a ExxonMobil, com arremates expressivos.

No setor SFZA-AP2, nove blocos foram arrematados. Três ficaram com o consórcio Petrobras e ExxonMobil, enquanto Chevron e CNPC dividiram os demais. O bônus arrecadado nesse setor chegou a R$ 528,56 milhões, com ágio superior a 1.200%. Já no setor SFZA-AP3, oito blocos foram arrematados, com bônus de R$ 305,19 milhões e ágio de 691,08%. No setor SFZA-AP4, dois blocos foram adquiridos pelo consórcio Petrobras e ExxonMobil, com bônus de R$ 10,54 milhões.

Outras bacias também registraram movimentação. Na Bacia de Santos, Shell e Karoon Brasil arremataram sete blocos com bônus que ultrapassaram R$ 100 milhões. A empresa norueguesa Equinor levou um bloco com bônus de R$ 30,48 milhões e ágio de 76,44%. Na Bacia de Pelotas, três blocos ficaram com o consórcio Petrobras e Petrogal Brasil, com investimento mínimo de R$ 84,96 milhões. A empresa Dillianz, com atuação no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Reino Unido, arrematou um bloco na Bacia dos Parecis.

No total, nove empresas participaram do leilão. Embora o número de blocos arrematados tenha sido relativamente baixo, o resultado foi considerado positivo pela ANP e pelo Ministério de Minas e Energia, especialmente diante do valor arrecadado. A estimativa inicial do governo era arrecadar R$ 444 milhões em bônus de assinatura, e o certame praticamente dobrou essa meta.

O leilão, porém, também foi marcado por protestos. Grupos de ambientalistas e lideranças indígenas manifestaram preocupação com os impactos da exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma região sensível do ponto de vista ambiental e cultural. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que os processos de licenciamento ambiental serão conduzidos com responsabilidade e que o Ibama deve agilizar as análises.

Durante o evento, a ANP também anunciou o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, com leilão previsto para 22 de outubro. Estão incluídos 13 blocos no regime de partilha, que se aplica às áreas do pré-sal. As empresas interessadas devem se inscrever até 30 de junho. Atualmente, 13 companhias já estão habilitadas para participar da disputa.

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