Semana passada, recebemos um convite para almoçar no domingo no Fasano. Achava que o restaurante só abria no almoço para eventos ou datas especiais, como os dias dos Pais e das Mães. Mas o Fasano abre suas portas para o almoço de domingo há um ano e meio – e fica lotadíssimo.
Logo que entrei, percebi que metade do salão era composto por famílias, com direito a crianças de movimentando para lá e para cá. Conforme observava a dinâmica dessas mesas familiares, percebi que o mesmo fenômeno ocorre nos demais restaurantes estrelados da cidade.
Teoricamente, isso seria algo normal. Afinal, o hábito de reunir a família para almoçar no domingo faz parte de nossa cultura há muitos anos. Mas me lembrei de uma pesquisa realizada na revista EXAME, muitos anos atrás, que mostrava um quadro diferente.
Neste estudo, que foi feito apenas entre empresários e altos executivos, a ideia era mapear o estilo de vida daqueles que eram decision makers dentro da iniciativa privada. Nunca me esqueci do capítulo dedicado aos restaurantes. Quando perguntados quais eram os restaurantes que frequentavam em encontros de negócios, muitos enumeraram os restaurantes importantes da época (antes, diga-se, da inauguração do Fasano em sua mais nova encarnação). Alguns dos citados: Massimo, Ca’d’Oro e La Tambouille (ainda na ativa e lotadíssimo aos finais de semana, especialmente aos sábados, quando serve uma feijoada de capotar).
Até aí, tudo bem e dentro do esperado. Mas, quando questionados quais eram os locais que frequentavam com a família nos finais de semana, a resposta era bem diferente: Lellis, Piero, Roperto, Rubaiyat e Dinho’s. Ou seja, havia uma predileção por ambientes menos formais, com destaque para cantinas e churrascarias.
Mas é interessante perceber que havia, antes, uma divisão clara entre os restaurantes finos que eram frequentados a trabalho e aqueles estabelecimentos escolhidos para os momentos de lazer. Obviamente, isso ocorre até hoje. Mas, antes, quando se ia a locais estrelados aos finais de semana, não se viam famílias inteiras. Hoje, contudo, isso é comum.
Por que isso ocorre?
De um lado, houve uma sofisticação crescente nos hábitos da classe mais alta paulistana. Além disso, os pais de hoje – em média – querem a presença de seus filhos pelo menos uma vez por semana. E não se preocupam com o preço da conta. Também, no passado, achava-se que os ambientes mais requintados não eram lugares para levar crianças. Essa mentalidade também mudou.
Mas existe um fator que diferencia os CEOs do passado e os da atualidade: os executivos de ontem priorizavam o trabalho em detrimento da família. Hoje, é crescente o número de pessoas que tentam compatibilizar a dedicação ao escritório e o convívio familiar. Por isso, não se fazem de rogados em levar crianças em locais mais sofisticados.
Por isso, é de se esperar que os endereços caros de São Paulo passem a receber, com o passar do tempo, mais crianças e mesas ainda maiores. Mas sempre haverá aqueles que vão reclamar de uma algazarra aqui ou um gritinho acolá. Será que alguns destes estabelecimentos vão fazer como determinados hotéis, que não permitem frequentadores com menos de quinze anos de idade? Vamos ter de esperar um pouco para ver o que irá acontecer.