Cardeal norte-americano de 69 anos assume o comando da Igreja Católica após quinta votação do conclave; escolha sinaliza possível continuidade das reformas de Francisco
O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi eleito nesta quinta-feira (8) como o novo líder da Igreja Católica. Com o nome papal de Leão XIV, ele se torna o 267º pontífice da história e o primeiro papa nascido nos Estados Unidos. A decisão, considerada surpreendente, foi anunciada com o tradicional “Habemus Papam” proferido em latim da sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, diante de uma multidão de fiéis.
Prevost assume o trono de Pedro 17 dias após a morte do Papa Francisco, e em um momento de grande atenção sobre o futuro da Igreja. A fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina no início da tarde indicou que os 133 cardeais reunidos em conclave haviam chegado a um consenso após cinco rodadas de votação — repetindo o padrão de rapidez das duas últimas eleições papais.
Com o lema “In Illo unum uno” (“No único Cristo, somos um”), Leão XIV sinaliza uma visão de unidade e continuidade. Conhecido por seu perfil progressista, agradeceu a Francisco em seu primeiro discurso e defendeu uma Igreja “sinodal e próxima dos que mais sofrem”.
Nascido em Chicago em 14 de setembro de 1955, Prevost é matemático de formação, mestre em Teologia e doutor em Direito Canônico. Ingressou na Ordem de Santo Agostinho em 1977 e foi missionário no Peru nos anos 1980, onde viveu por duas décadas, tornando-se também cidadão peruano. A vivência latino-americana e o domínio do espanhol o aproximaram dos fiéis da região e do próprio Papa Francisco, de quem é considerado aliado.
Virada inesperada no conclave
A escolha de um papa americano quebra a tradição europeia — sobretudo italiana — que se alternava com nomes de fora apenas pontualmente, como no caso de Francisco, o primeiro pontífice latino-americano. O favoritismo recaía sobre o cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, mas o conclave optou por um nome considerado menos previsível e mais afinado com os desafios atuais da Igreja global.
A eleição de um papa dos Estados Unidos também reacende a atenção para as relações entre o Vaticano e o governo norte-americano, especialmente sob a presidência de Donald Trump, que comemorou a decisão nas redes sociais: “Que grande honra para o país”, escreveu. A declaração chama atenção, considerando os frequentes atritos entre Trump e Francisco em temas como imigração, meio ambiente e desigualdade.
Apesar de majoritariamente protestantes, os EUA têm a quarta maior população católica do mundo — cerca de 85,3 milhões — e são o segundo país mais representado no Colégio Cardinalício, com dez membros. Ainda assim, até agora, nenhum cardeal americano havia liderado a Igreja.
Durante o conclave, o nome de Prevost não figurava entre os favoritos — o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, era um dos mais citados. Trump chegou a mencionar Dolan como uma “boa opção” em uma entrevista após a morte de Francisco, mas sua escolha não se concretizou.
A eleição de Leão XIV encerra o período de Sé Vacante e inicia uma nova etapa para os 1,4 bilhão de católicos no mundo. A expectativa agora gira em torno dos primeiros atos do novo pontífice e do rumo que pretende dar ao legado de Francisco.
