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Crise do kimchi: Preço do repolho ameaça prato nacional da Coreia do Sul

Da redação
26 de outubro de 2024
Doenças de plantações vêm se espalhando no país após um verão com condições climáticas anormais

A Coreia do Sul está vivenciando uma crise no mercado de kimchi, prato tradicional e símbolo nacional, devido à escassez de repolho chinês, seu principal ingrediente. Com o preço do vegetal atingindo até 2,6 vezes o valor usual, as famílias sul-coreanas começam a se preocupar com a alta nos custos para preparar o alimento. A crise é impulsionada por doenças de plantações que vêm se espalhando após um verão com condições climáticas anormais, afetando duramente as colheitas.

Durante os últimos meses, ondas de calor intensas e prolongadas atingiram o país. A Administração Meteorológica da Coreia do Sul relatou que, em setembro, tanto a temperatura média quanto o número de dias com sensação térmica superior a 35 °C foram os mais altos desde o início do monitoramento, em 1973. O impacto nas lavouras de repolho se intensificou, resultando em uma corrida para garantir o vegetal nos mercados.

“Aproveitem para comprar repolho enquanto ainda encontram”, alertou uma consumidora à sua família, diante da escassez nos supermercados. Novembro e dezembro são tradicionalmente os meses em que as famílias coreanas estocam grandes quantidades de kimchi, o que torna a situação ainda mais crítica.

Em 16 de outubro, o preço médio do repolho chinês no atacado alcançou 8.010 wons (aproximadamente US$ 5,80), segundo a Korea Agro-Fisheries & Food Trade Corp. O governo sul-coreano, por meio do Ministério da Agricultura, Alimentos e Assuntos Rurais, anunciou medidas para estabilizar o fornecimento, incluindo o aumento das importações de repolho da China. Contudo, muitos consumidores preferem o sabor do repolho cultivado localmente, ainda que o preço seja mais alto.

As dificuldades com as plantações foram agravadas nas regiões do norte do país, onde o repolho é plantado no verão e colhido em outubro. “O calor excessivo deste ano comprometeu a produção, causando doenças que deixam o vegetal vermelho”, explicou Kim Jin-sop, diretor da Korean Fresh Vegetables Cooperative. No condado de Danyang, a situação é menos crítica: o repolho ali cultivado permanece saudável e deve ajudar a estabilizar os preços até o fim de outubro, informou a CJ CheilJedang, uma das principais produtoras de kimchi do país.

A situação alerta para um problema de longo prazo. A média anual de temperatura na Coreia aumentou de 11,9 °C na década de 1980 para 13,2 °C na década de 2020, segundo a Administração Meteorológica. Com o aumento da temperatura, a Administração de Desenvolvimento Rural prevê uma significativa redução nas áreas de cultivo de repolho chinês nas próximas décadas.

A crise no fornecimento de repolho chinês surge num momento em que o governo sul-coreano investe na promoção de produtos como o kimchi, valorizado mundialmente por suas propriedades saudáveis. Apenas no primeiro semestre de 2024, as exportações de kimchi cresceram 4%, atingindo US$ 83,8 milhões.

Para enfrentar o cenário futuro, especialistas acreditam que a solução envolve melhorar as técnicas de preservação dos vegetais. “Se conseguirmos manter frescos os repolhos colhidos na primavera para o consumo de verão, isso estabilizará os preços ao longo do ano”, defendeu Kim.

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