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Os 100 primeiros dias de Javier Milei

Instituto Mises
29 de março de 2024
Um edifício de ilusões que desmoronou em cima do povo. Alguns tijolos foram retirados, mas ainda há um longo caminho a percorrer

A Argentina fechou o governo de Alberto Fernández com mais de 200% de inflação e risco de hiperinflação. O déficit fiscal atingiu 6% do PIB, mas seria também necessário acrescentar um déficit quase-fiscal de 10% do PIB, totalizando um desequilíbrio de 16% do PIB. O aperto cambial foi tão forte que os importadores acumularam dívidas, enquanto uma decisão obrigou a Argentina a pagar US$ 15 bilhões pela má prática do governador Kicillof em sua expropriação da YPF. Salários de estatais e pensões de miséria; violência nas ruas; altos níveis de risco-país, pobreza e indigência; tudo isso descreve uma Argentina cinzenta que denota a necessidade de uma mudança de era.

Novo governo

Javier Milei toma posse com a esperança de um terço do país, as dúvidas de um segundo terço e a rejeição do terceiro. Mas convencido de um plano liberal, iniciou uma transformação nunca vista na história mundial recente.

Milei chegou ao poder sozinho, o que significa que não precisa devolver favores ao partido, nem a pseudoempresários que financiaram sua campanha, nem a militantes que o acompanharam por todo o país, nem a governadores que esperam transferências discricionárias. Isso permitiu reduzir os gastos estruturais, reduzindo pela metade o número de ministérios, secretarias, subsecretarias e direções nacionais. Já no primeiro dia, havia muito menos funcionários com assessores e motoristas para as finanças. Ele também cortou obras públicas, que devem ser substituídas por investimento privado. As transferências discricionárias foram encerradas, o que possibilitou pressionar as províncias a também ajustarem seus excessos.

Do lado energético, foi preciso reconhecer aumentos tarifários, para reduzir gastos com subsídios, mas também para justificar níveis de investimento que permitam a recuperação da infraestrutura energética.

Como prometeu durante a campanha, os planos sociais foram mantidos, exceto aqueles que foram contaminados por gestões corruptas.

Resultados

A Argentina está mudando. Já em janeiro e fevereiro, foi possível observar o superávit fiscal, o que permite parar de monetizar e, assim, baixar a inflação. As taxas dos pases caíram de 130 para 100, e depois para 80, e continuarão a cair, para encerrar o ciclo financeiro que agora envolve o setor bancário.

O Banco Central melhora seu balanço, ao mesmo tempo em que acumula reservas para se permitir levantar as restrições cambiais.

Duplo superávit (fiscal e comercial), ordem monetária e redução do risco hiperinflacionário, superávit energético, redução do risco-país pela metade e aumento dos ativos financeiros são as primeiras conquistas nesses 100 dias. O fim do aperto cambial virá no meio do ano, e aí recuperaremos a atividade, o crescimento e o emprego.

Tudo poderia ser acelerado se o DNU se tornasse lei e se a Lei Bases e o Pacto de maio fossem aprovados nos próximos 100 dias. Mas talvez já estejamos pedindo demais.

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Por Adrián Ravier

Publicado originalmente em: https://encurtador.com.br/nDFK7

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