Alegação distorce o contexto de uma afirmação da jornalista
Publicações nas redes distorcem um trecho da edição de 2 de novembro do Jornal da Globo para alegar que a jornalista Renata Lo Prete teria justificado o alto número de mortes de crianças na Faixa de Gaza com o fato de os palestinos terem muitos filhos. A campanha desinformativa foi escolhida por MR como a Fake News da Semana. Em sua afirmação, a jornalista explica apenas que os dados divulgado pelo Ministério da Saúde de Gaza não podem ser auditados de forma independente, porém eram compatíveis com as informações demográficas da região.
No trecho compartilhado pelas peças de desinformação, Lo Prete mostra que, de acordo com o órgão, controlado pelo Hamas, 3.760 dos 9.061 mortos do lado palestino (40% do total) seriam crianças e adolescentes. Essa porcentagem seria proporcional à quantidade de crianças e jovens até 14 anos vivendo na região – que representam 40,4% dos 2,2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza, segundo o Escritório Central de Estatísticas da Palestina.
Na sequência, a jornalista cita outro dado do dado estatístico oficial referente ao período entre 2017 e 2019 para explicar que em Gaza há uma alta taxa de natalidade, com média de 3,9 filhos por mulher. No Brasil, por exemplo, essa taxa é de 1,6 filho por mulher, de acordo com relatório deste ano divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A malícia aplicada à observação factual da jornalista provocou ataques nas redes. No último domingo (5), em resposta ao comentário de uma usuária, Renata afirmou que estava sendo difundida “uma mentira horrível” e que “mostrar o quão jovem é a população do território não justifica o ataque, muito pelo contrário”.
você está difundindo uma mentira horrível. Abri essa edição destacando que, em menos de um mês, morreram em Gaza mais crianças do que em todos os conflitos armados do mundo em 2022. Mostrar o quão jovem é a população do território não justifica o ataque, muito pelo contrário.
— Renata Lo Prete (@renataloprete) November 5, 2023
De acordo com a agência da ONU para refugiados palestinos, desde 7 de outubro, em média, uma criança é morta e duas são feridas dentro da Faixa de Gaza a cada dez minutos. Dados divulgados pelo órgão de saúde pública da região apontam que 4.104 jovens morreram até a última terça em decorrência do conflito entre Hamas e as forças armadas de Israel.

