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Queda na safra de trigo argentino impacta negócios no Brasil

Da redação
23 de maio de 2023
Pesquisa da agtech Sima aponta que danos causados pela estiagem resultaram na queda de 35% do rendimento do cereal

As últimas safras têm sido de escassez para os agricultores argentinos e as perspectivas de colheita para este ano seguem a mesma tendência. Segundo pesquisa realizada pela agtech Sistema Integrado de Monitoramento Agrícola (Sima), o rendimento do cereal caiu 35% na última safra. Os dados trazem uma abordagem sobre a vulnerabilidade da cultura frente às adversidades do clima e como a safra e a economia brasileira relacionada ao grão ficam à mercê da grande demanda nacional.

No cenário de seca que afetou o campo argentino, a agtech, que monitora mais de 6 milhões de hectares em oito países latino-americanos, tirou uma radiografia do que restou da última safra de trigo com base em informações coletadas de seus usuários. O resultado das últimas safras está ligado aos impactos do evento da La Niña. O fenômeno se caracteriza pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, ocasionando alterações climáticas por todo o país, e afetando diretamente o regime de chuvas. Neste contexto, ao finalizar a colheita da safra 2022/23 na Argentina, os dados da Sima mostraram que a produtividade média dos usuários foi de 2.800 kg/ha de trigo, ligeiramente superior à média nacional do país, que girou em torno de 2.200 kg/ha.

Em relação à safra anterior, a quebra de rendimentos apurada junto aos utilizadores da Sima foi de cerca de 35% face ao período homólogo. “Neste sentido, importa esclarecer que nossos clientes, ao planejarem a colheita do trigo, manifestaram a expectativa de atingirem um rendimento de 3.800 kg/ha, o mesmo da safra de 2021/22”, pontuou o cofundador da startup, Maurício Varela.

O Brasil é um dos maiores importadores de trigo argentino do mundo e essa dependência apresenta impactos significativos na economia. Em 2022, o país desembarcou cerca de 5,7 milhões de toneladas do cereal, sendo que 71% desse volume foi ofertado pela Argentina. A importação deste produto da Argentina é estratégica para o Brasil, já que a cultura produzida no país vizinho tem um custo mais baixo devido à proximidade geográfica e à facilidade de transporte.

A quebra de safra na Argentina causa um impacto direto no suprimento da demanda brasileira. A diminuição da oferta de trigo no mercado nacional leva ao aumento de preços, afetando negativamente o consumidor final. Desta forma, estar atento aos indicadores de produção e adversidades em âmbito internacional é fundamental para a resiliência da cultura e economia atrelada à comercialização do grão.

O Brasil segue em busca de ampliar sua produção e consequentemente diminuir a dependência do mercado exterior. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de trigo no campo brasileiro foi estimada em 11 milhões de toneladas no ano comercial 2023/2024, ante 10,6 milhões no ano anterior. Alguns especialistas projetam que o Brasil pode ser autossuficiente em trigo em 10 anos, porém, o maior desafio é ultrapassar as quase 13 milhões de toneladas consumidas hoje no país.

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