Companhia reforçou outras medidas, como a contratação de um instituto de perícias forense
Depois de 24 dias desde a denúncia do rombo de R$ 20 bilhões, o conselho de administração da Americanas decidiu afastar seis diretores estatutários da companhia. Segundo o comunicado publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o afastamento não representa “qualquer antecipação de juízo”. Há forte suspeita de fraude no caso e a revelação dos problemas culminou em um processo de recuperação judicial. Seis executivos ficaram impedidos de exercer suas atividades e perderam acesso ao sistema interno da empresa.
Anna Christina Ramos Saicali, José Timotheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, e os executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes foram bloqueados de todas as suas funções e atividades, durante o curso das apurações.
Anna Saicali, por exemplo, estava à frente da Ame Digital, fintech da Americanas. Timotheo de Barros era o diretor de logística, tecnologia e lojas físicas e Meirelles, vice-presidente de consumo e marketing. Apesar de os cargos atuais poderem surpreender, a questão é que na companhia é comum que os executivos passem por diversas áreas, que foi o que ocorreu com a maioria dos executivos desligados.
Camille Loyo Faria, que assumiu dia 1º de fevereiro, segue como diretora financeira e de relações com investidores. O presidente interino, João Guerra — há quase 30 anos no grupo —, também não é citado entre os afastados.
A permanência de funcionários do alto escalão de longa data estava dificultando até mesmo a contratação de profissionais para assumir a gestão e que sejam especializados em recuperação judicial.
O conselho que votou pelo afastamento dos executivos é composto por Carlos Alberto Sicupira, Cláudio Moniz Barreto Garcia, Eduardo Saggioro Garcia e Paulo Alberto Lemann, que são representantes dos acionistas de referência. Também fazem parte do conselho, como membros independentes: Mauro Muratorio Not, Sidney Victor da Costa Breyer e Vanessa Claro Lopes.
Incômodo
A demora da companhia em desligar executivos estava causando grande incômodo no mercado e críticas. Normalmente, esse é um dos primeiros movimentos a ser feito, bem como o alerta de que a comunicação de todos deve ficar à disposição para averiguação e que nada deve ser deletado.
Há preocupação entre os credores a respeito da integridade dos documentos internos, uma vez que essas pessoas mantiveram acesso ao sistema todo esse tempo. Santander e Bradesco conseguiram na Justiça o direito de fazer busca e apreensão na sede do grupo. O banco de origem espanhola conseguiu concretizar o movimento, enquanto o Bradesco teve a iniciativa paralisada pela Justiça do Rio de Janeiro, em mais uma decisão que têm deixado advogados — de dentro e de fora do caso — de cabelo em pé.
Outras medidas
Além do afastamento, a companhia reforçou outras medidas que já foram informadas e começaram a ser implementadas como a contratação do IBPTECH, instituto de perícias forenses, e da FTI Consulting, empresa de consultoria internacional de preservação de dados, assim como da ICTS Security, empresa de consultoria especializada em segurança da informação. Também foram contratados a consultoria global Alvarez & Marsal como PMO do processo de recuperação judicial e a Delloite Touche Tohmatsu para assessoria contábil, uma vez que a própria denúncia pressupõe que as demonstrações financeiras da companhia não refletem sua realidade adequadamente.
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Por Raquel Brandão
Publicado originalmente em: https://bityli.com/0S7Q1
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