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Divisão entre esquerda e direita não faz sentido, diz cientista político

Da redação
13 de junho de 2018

As eleições presidenciais de 2018 podem ser as mais fragmentadas desde 1989. Há diversos candidatos, que variam da extrema esquerda à extrema direita. A diversidade ideológica, porém, às vezes não resiste às conveniências eleitorais. Faz sentido Ciro Gomes, que ensaiava se apresentar como representante da esquerda, coligar com o DEM, partido de direita e que votou a favor da reforma trabalhista – que Ciro se comprometeu a revogar se for eleito? Segundo o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGV-RJ) Carlos Pereira, essas coligações são comuns, pois a “ideologia não é critério de identificação partidária”. Leia os principais trechos da entrevista de Carlos Pereira a MONEY REPORT.

Ciro Gomes (PDT) tenta uma aliança com o DEM, um partido que já foi uma das grandes siglas da direita do país, o antigo PFL. O que faz sentido na esquerda e direita hoje?
A divisão entre esquerda e direita faz sentido, mas não na esfera partidária. No sistema presidencialista brasileiro, multipartidário e hiperfragmentado, a ideologia não é uma fonte de agregação de interesses partidários. Os partidos se caracterizam por serem fracos do ponto de vista ideológico – a ideologia não é capaz de agregar ou diferenciar os partidos. A ideologia não é critério de identificação partidária. Não temos no Brasil partidos claramente de esquerda ou de direita.

O deputado Miro Teixeira (Rede) disse ao jornal Valor que a divisão entre esquerda e direita é um “símbolo anacrônico”. Ele tem razão?

De fato, essa discussão é anacrônica. No sistema presidencialista, os partidos não surgem ou se desenvolvem sob a égide da ideologia.

Sob qual égide eles se desenvolvem?

Sob o cálculo eleitoral e de benefícios que terão com os respectivos eleitores.

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