Rússia diz que bloqueio ao seu exclave báltico é uma violação e promete reagir
A Lituânia bloqueou o trânsito de mercadorias para o exclave russo de Kaliningrado. O transporte de carvão, metais e materiais de construção para o território, que tem o status de república (oblast) fica agora comprometido. As autoridades lituanas defendem a aplicação da medida por esta estar em consonância com as sanções aplicadas pela Comissão Europeia contra a Rússia.
A situação foi denunciada por Anton Alikhanov, governador de Kaliningrado, na sua conta pessoal do Telegram na passada sexta-feira (17). O responsável indicou que o bloqueio parcial obrigará a uma diminuição de 40 a 50% de transporte de mercadorias que a região importa do restante território da Rússia.
Nesta segunda-feira (20), a Rússia reagiu oficialmente à medida. O ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu um comunicado, citado pela AFP, a condenar aquilo que diz ser um ação “provocativa” e “abertamente hostil”. “Se num futuro próximo o trânsito de mercadorias entre a região de Kaliningrado e o resto do território na Federação Russa não for reposto totalmente, então a Rússia tem o direito de agir e proteger os seus interesses nacionais”, lê-se no comunicado.
Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu a decisão das autoridades lituanas como sendo “sem precedentes” e “uma violação” das normas internacionais. “A situação é muito séria e requer uma análise antes de se tomar quaisquer medidas e decisões”, avisou.
Em resposta a estas críticas, o ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, Gabrielius Landsbergis, salientou, citado pelo canal estatal lituano LRT, que “a Lituânia não está a fazer nada”, mas esta medida é efeito das “sanções europeias que entraram a vigor a 17 de junho”. “A indústria que está impor as sanções é a das ferrovias. Eles informaram os seus clientes que os bens sancionados não podiam atravessar o território lituano”, explicou. Caminhões russos e bielorrussos (imagem de dstaque) ainda podiam cruzar a fronteira, mas a permissão também pode ser revogada. Desde o início da invasão da Ucrânia, a Polônia e os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) dificultam a circulação de trens e caminhões de ambos os países.
A Ucrânia já veio expressar o seu apoio à decisão lituana. Na sua conta pessoal do Twitter, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dymtro Kuleba, defendeu que a Rússia “não tem o direito de ameaçar a Lituânia”. “Moscovo deve culpar-se apenas a si pelas consequências da sua invasão injustificada da Ucrânia”, afirmou.
Russia has no right to threaten Lithuania. Moscow has only itself to blame for the consequences of its unprovoked and unjustified invasion of Ukraine. We commend Lithuania’s principled stance and stand firmly by our Lithuanian friends. @GLandsbergis
— Dmytro Kuleba (@DmytroKuleba) June 20, 2022
O que é Kaliningrado?
Espremida entre a Polônia e a Lituânia, membros da UE e da OTAN, Kaliningrado tem como principal centro a cidade portuária de mesmo nome. Um importante porto comercial do Mar Báltico por centenas de anos, teve forte influência germânica e polonesa, fazndo parte da União Soviética e da Rússia desde o final da Segunda Guerra Mundial. Hoje abriga quase meio milhão de habitantes.

Embora Kaliningrado faça parte da Rússia, não tem fronteiras terrestres ou marítimas com o resto do país, recebendo seus suprimentos por meio de ferrovias e gasodutos que cortam a Lituânia, uma ex-república soviética independente desde 1990. O exclave é estrategicamente importante para a presença militar da Rússia no Mar Báltico. Junto com São Petersburgo, sedia a Frota do Mar Báltico (no mapa).
